segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O homem revoltado – Albert Camus


A leitura do texto requer paciência do leitor para não se apoquentar devido à sua complexidade. Traz a história filosófica sobre a revolta do homem e faz referências a importantes pensadores, quando menciona o niilismo, o surrealismo e o existencialismo. André Breton, Pierre Naville, Sade, Nietzsche e Dostoiévski são citados em várias oportunidades e o leitor precisa ter, pelo menos, noção do que cada um pensava a respeito das crenças e necessidades sociais.

O escrito tangencia um ensaio literário a respeito da revolta do homem e traz reflexões sobre propostas políticas e sociais ocorridas nos últimos anos. Possivelmente, por isso, os questionamentos de Albert Camus, que contestam teorias da época, não tenham sido aceitos por alguns pensadores franceses encabeçados pelo filósofo Jean-Paul Sartre.

Camus, afirma que a revolução e o amor são incompatíveis: “A revolução consiste em amar um homem que ainda não existe. Mas aquele que ama um ser vivo, se realmente o ama, ele só aceita morrer por ele.” Cita que o homem revoltado se contrapõe à ordem de quem o oprime e reage quando sente que não deve ser oprimido além do que pode admitir. Entende que a revolta não nasce, única e obrigatoriamente entre os oprimidos, pode também surgir do espetáculo da opressão. Neste caso, o revoltado se identifica com o outro indivíduo.

Cita que “Não se pode dar uma coerência ao assassinato, se a recusamos ao suicídio. A mente imbuída da idéia de absurdo admite, sem dúvida, o crime por fatalidade; mas não saberia aceitar o crime por raciocínio. Diante do confronto, assassinato e suicídio são a mesma coisa: ou se aceitam ambos ou se rejeitam ambos.”

Diz que “A revolta clama, ela exige, ela quer que o escândalo termine e que se fixe finalmente aquilo que até então se escrevia sem trégua sobre o mar. Sua preocupação é transformar. Mas transformar é agir, e agir, amanhã, será matar, enquanto ela ainda não sabe se matar é legítimo. Ela engendra justamente as ações cuja legitimação lhe pedimos. É preciso, portanto, que a revolta tire as suas razões de si mesma, já que não consegue tirá-las de mais nada. É preciso que ela consinta em examinar-se para aprender a conduzir-se.” E que: “Na nossa posição diária, a revolta desempenha o nosso papel que o cogito na ordem do pensamento: ela é a primeira evidência. Mas essa evidência tira o indivíduo de sua solidão. Ela é um território comum que fundamenta o primeiro valor dos homens. Eu me revolto, logo existimos.”

Afirma que “Para combater o mal, o revoltado, já que se julga inocente, renuncia ao bem e gera novamente o mal.”

O texto é riquíssimo em questionamentos e possibilita tirar conclusões sobre muito do que se propagou a respeito das revoluções sociais.

Informações sobre o autor - Albert Camus, foi escritor e filósofo, nasceu na Argélia e viveu sob o signo da guerra, da fome e da miséria. Morreu em acidente de carro em 1960. Juntamente com Jean-Paul Sartre foi um dos principais representantes do existencialismo francês. Camus afirma que as pessoas procuram incessantemente o sentido da existência numa vida que carece de sentido e na qual só é possível ganhar a liberdade e a felicidade com a rebelião. Escreveu O Mito de Sísifo (1942), O Estrangeiro (1942), A Peste (1947), O Estado de Sítio (1948), Os Justos (1949), O Homem Revoltado (1951). Foi-lhe atribuído o Prêmio Nobel da Literatura em 1957.


Referência bibliográfica
Camus, Albert, 1913-1960
O homem revoltado / Albert Camus; tradução de Valerie Rumjanek.- 8ª Ed. – Rio de Janeiro: Record, 2009.
210p.
Tradução de: L’homme révolté

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