sábado, 14 de maio de 2011

Travessuras da menina má - Mario Vargas Llosa

De um lado um amor sem limites, do outro uma ambição desmedida e inconsequente. Assim, Mario Vargas Llosa constrói a brilhante história de Ricardo Somocurcio e Otilia.
A canalhice, normalmente praticada pelos homens nas relações amorosas, é colocada, desta vez, na figura feminina e, ao que parece, apesar das ações desprezíveis recheadas com toque de carinho verbal, leva o leitor a não odiar a personagem.
Otilia muda de nome como camaleão muda de cor para praticar as safadezas. Ricardo, por sua vez, não consegue entendê-la. Percebe-se que as aventuras da menina má deixam de ser uma necessidade para transformar-se em aberração de caráter: vai ao encontro do risco por necessidade de sofrimento. Sofrer era não se aventurar. Sujeitar-se ao risco era uma forma de punir-se. O autor nos remete para a prática da tolerância, do amor desmedido e da aceitação dos diferentes. Mostra que a opção de vida escolhida pelo indivíduo é como uma flecha lançada, na maioria das vezes não tem volta.

O leitor censura a menina má e, ao mesmo tempo, deseja que alguma coisa de normal aconteça.
A aventura começa com a chilenita Lily, depois veio a camarada Arlete, madame Robert Arnoux, Mrs. Richndson e Kuriko. Todos elegeriam madame Somocurcio com favorita, mas, a aventura exalava da pele da menina má como nicotina evapora do corpo de um fumante.

Mario Vargas Llosa se aproveita da menina má para oferecer um cenário sociopolítico vivido no Peru. Migram os personagens para a França, país símbolo da democracia, para Cuba, na busca de justiça social e  para a Inglaterra reverenciando os movimentos culturais das décadas 60 a 80. A tortura sofrida pela menina má, no Japão, serve de alusão ao regime implantado no Peru pelo ex-presidente, Fujimori, que também possui cidadania japonesa.
Llosa, chama a atenção para a adoção de menores e exalta a prática como uma decisão a ser tomada sem preconceito. A criança vietnamita incapaz de falar, adotada por um casal amigo de Ricardo,  começa a balbuciar a partir do momento que atende ao telefone da menina má. Este tema adoça a carapaça da aventureira, mostra que perdas, carências sociais e afetivas podem ser superadas através da atenção para com o próximo. Lembra que o bem e o mal estão no mesmo indivíduo e nos compete à escolha por um ou outro. 

O texto apresenta uma aventura descomunal e oferece um aprendizado digno da experiência do grande escritor, Mario Vargas Llosa. A leitura é imperdível!

Informações sobre o autor – Mario Vargas Llosa é jornalista, dramaturgo, ensaísta, crítico literário e escritor consagrado internacionalmente. Nascido em Arequipa, no Peru, em 1936, ganhou notoriedade literária com a publicação do romance A cidade e os cachorros (1961). Mudou-se para Paris nos anos 60 e lecionou em diversas universidades americanas e européias, ao longo dos anos. Publicou Conversa na catedral, Pantaleão e as visitadoras, Tia Júlia e o escrevinhador, A guerra do fim do mundo, Quem matou Palomino Molero? Cartas a um jovem escritor. Recebeu os prêmios Cervantes, Príncipe das Astúrias. Foi candidato derrotado à presidência do Peru, em 1990, perdendo a eleição para Alberto Fugjimori..

Referência bibliográfica

Vargas Llosa, Mario
Travessuras da menina má / Mario Vargas Llosa ; tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht..
302p.
Tradução de: Travessuras de la niña mala.
ISBN  85-7302-808-4
Romance peruano. I.Roitman, Ari, paulina. II. Título.


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sábado, 30 de abril de 2011

O retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde

No século dezenove, um rapaz da alta sociedade inglesa teve o seu retrato pintado por um artista que considerava a obra sua mais importante criação. Ao deparar-se com o retrato, o jovem Dorian Gray encantou-se com a própria beleza e o pintor Basil Hallward e o nobre Henry Wotton encarregaram-se de instigar o seu ego.
Dorian declara: “Que coisa profundamente triste (...) eu ficarei velho, aniquilado, hediondo!... Esta pintura continuará sempre fresca. Nunca será vista mais velha do que hoje, neste dia de junho... Ah! Se fosse possível mudar os destinos; se fosse eu quem devesse conservar-me novo e se essa pintura pudesse envelhecer! Por isso eu daria tudo!... Não há no mundo que eu não desse... Até minha alma!...”

Convicto do que disse, Dorian Gray pactuou com o diabo e manteve-se jovem e belo enquanto o seu retrato envelhecia. Basil Hallward apaixonou-se pelo jovem e disputou com o amigo Henry Wotton a atenção sua atenção.
A beleza do protagonista encantava a todos e lhe permitia usufruir de privilégios a ponto de manter vários e extravagantes relacionamentos amorosos. Certa noite, convidado por um empresário de segunda categoria, adentrou em um teatro e se deparou com Sibyl Vane, pobre e desconhecida atriz, pela qual terminou se apaixonando.  Decidido a casar-se com ela, convidou os amigos Basil e Henry para vê-la representar e, surpreendentemente, após a sua péssima participação na peça, veio o desapontamento que resultou no rompimento da relação. Em seguida, ocorreu um episódio que interferiu na vida do egocêntrico protagonista.

Enquanto o misterioso retrato envelhecia, em consequência do pacto feito com o demônio, o excêntrico protagonista permanecia jovem e levava a vida desregrada a ponto de aniquilar com o autor da obra e romper com o nobre Henry Wotton.

Oscar Wilde, chamar a atenção para os enganos sociais que enaltece os valores estéticos em detrimento da moral e da ética. Mostra, com sutileza, a natureza como ela é ao findar o texto com a seguinte frase: “No assoalho, jazia um homem morto, trajado a rigor com um punhal no coração!... Seu semblante estava macerado, enrugado e repelente!... Somente pelos anéis, conseguiriam reconhecer quem era...”  

O texto publicado em 1890, na Inglaterra, permanece atual e rico de ensinamentos. O único romance de Oscar Wilde não foi bem recebido, à época, devido às insinuações homossexuais. Este fato o levou à prisão. O rígido e insalubre sistema carcerário consumiu a sua saúde e, após três anos da sua soltura, veio a falecer. 

Informações sobre o autor – Oscar Fringall O’Flahertie Wilde, destacou-se desde a infância pelo seu brilhantismo e pelo comportamento excêntrico. Aos vinte anos, foi estudar na Inglaterra, onde ficou conhecido pela intensa e extravagante atividade social. Sua literatura propunha uma renovação de valores e comportamentos. Escreveu diversas peças de teatro, entre elas Salomé (1891), Uma mulher sem importância (1893), A importância de ser prudente (18895). O retrato de Dorian Gray é o seu único romance e sua obra mais conhecida.

Referência bibliográfica
Wilde, Oscar, 1854 - 1900
O retrato de Dorian Gray / Wilde, Oscar 1854 – 1900.
252p.
Tradução de: João do Rio – São Paulo: Hedra ; 2009 Biografia.
ISBN  85-7715-011-9
Literatura inglesa. I. Ficção


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sexta-feira, 15 de abril de 2011

O filho eterno – Cristovão Tezza

Um reboliço foi criado na vida do casal ao ser informado, pelo médico, que o filho Felipe era portador de trissomia do cromossomo 21. Este fato indicava alterações genéticas que influenciaram no fenótipo, no comportamento, na saúde e na expectativa de vida do bebê.

O filho eterno, narrado por Cristovão Tezza, mostra o conflito mental de um pai, despreparado e inseguro, incapaz para compartilhar da vida de um filho que adquiriu uma herança genética que o remeteu a comportamentos díspares da maioria dos indivíduos.
A insegurança para enfrentar uma sociedade preconceituosa, despreparada e não adaptada para atender às necessidades dos diferentes, mudou o plano de vida do pai. Em alguns momentos preferia negar a realidade, em outros compartilhava do arrastado desenvolvimento do filho.

O autor revela os sentimentos dos transtornos causados quando do nascimento do filho, por ocupar os espaços de seus relacionamentos, por drenar as suas economias, instaurar a insegurança e afastar o pai da mãe, sem criar nenhuma expectativa compensatória:
“E no caso dele, ele pensa – e quando pensa acende outro cigarro -, a troco de nada. Para dizer as coisas claramente, esta criança não lhe dará nada em troca. Sequer aquele prazer mesquinho, mas razoável, de mostrá-lo aos outros como um troféu (...)”    

Em outros momentos aparece o relato de possível compensação na relação com o filho:
“Ainda não existe um filho na sua vida; existe só um problema a ser resolvido, e agora lhe deram um mapa interessantíssimo, quase um manual de instruções. Por trás desse pequeno milagre, começa a aparecer um detalhe sutil sobre o qual ele não pensou ainda: motivação.”

O audacioso romance revela sentimentos e conflitos de uma pessoa despreparada para assumir as vicissitudes da vida, a insegurança de enfrentar o desconhecido e trilhar por caminhos difíceis. Revela, ainda, a necessidade de continuar na labuta, aprendendo a renovar as energias para o próximo momento, sem esperança de mudanças significativas. Motivar-se em busca do pouco, do quase nada, da aceitação do diferente ao qual lhe foi doado sua carga genética, na esperança, mesmo que remota, de que um dia a ciência possa mudar o que a natureza não contribuiu para a normalidade.

O texto desperta para a dificuldade de pais que convivem com filhos detentores de doenças congênitas e mostra a necessidade do entendimento da problemática que grande parte da sociedade insiste ignorar.

Informações sobre o autor –  Cristovão Tezza nasceu em Lages, Santa Catarina. É considerado um dos mais importantes autores brasileiros contemporâneos, é também colunista do jornal Folha de São Paulo e cronista da Gazeta do Povo, de Curitiba. Publicou, entre outros, os romances Trapo, O fantasma da infância, Aventuras provisórias, Breve espaço entre cor e sombra.

Referência bibliográfica
Tezza, Cristovão, 1952 -
O filho eterno / Cristovão Tezza – Rio de Janeiro: Record, 2010.
222p.
ISBN 978-85-01-07788-2
1. Romance brasileiro - I. Título


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quinta-feira, 31 de março de 2011

Cartas Anônimas – Fernando Vita

A divertidíssima história de uma cidade, que de fictícia só tem o nome, contada por Fernando Vita, registra fatos ocorridos quando o autor, ainda adolescente, ouviu e acompanhou o desenrolar de boatos que serviram para ocupar os desocupados e irritar os que, de alguma forma, cometiam deslizes, deixavam escapar sentimentos amorosos ou preferências sexuais.
Muito pouco do que eu me recorde passou despercebido pelo autor. O texto escrito em linguagem direta, com citações comuns em mesas de bar de províncias a exemplo da que serviu de palco para desenrolar a narrativa, não agride os tímpanos do leitor devido à habilidade do autor em contar os fatos de forma hilária e desprovidos de ofensa.
Cada caso se desenvolve de maneira única e terminam se entrelaçando. As cartas anônimas apresentadas como simples fotografias se transformam, no decorrer do texto, em um engraçado filme.
O romance coloca a belíssima e desejada Boneca no centro de um contexto, fruto do imaginário do autor. Afinal, diz ele tratar-se de uma ficção...
Na cidade desprovida de heróis, citado por Vita, a bem da verdade existiu um, faça-se justiça, o pai de  Chebeu, um dos estafetas citados no texto. O emprego federal concedido a Chebeu nos Correios e Telégrafos se deu ao fato do seu pai ter participado na Segunda Guerra Mundial.
O juiz Efraim, o grão-mestre Clinésio, Nadinho da Jegra, tenente Ludovico, e Teófilo que tinha por profissão ser marido da professora, adornam a história de forma espirituosa. Esse último, ao ser apresentado às pessoas dizia: “– Sinta em suas partes os meus prazeres! Teófilo Amândio, seu criado, marido da professora Dina Gazinha, às suas ordens.” O autor, também, não deixou escapar a Madre Rosário, encarregada do convento que abrigava a jovem, bela e radiante Madre Maria Goretti,  respeitadas obreiras educacionais.

As cartas anônimas chamavam a atenção dos desocupados que amavam comentar sobre a vida alheia. Os conteúdos saíam dos papéis e circulavam de boca em boca acrescidos da imaginação e do azedume de quem os repicavam.

Há que perdoar os habitantes de Todavia (SAJ), afinal, nada se tinha a fazer à época. O gerador que iluminava a cidade era desligado às vinte horas e na calada das noites enluaradas os cantores, tocadores, bêbados, políticos, poetas de meia tigela, desocupados por falta de trabalho e opções de lazer se encontravam nos bancos de jardins, botecos e puteiros - iluminados por candeeiros Aladim - para comentarem sobre vidas de muitos que dormiam e de outros que perdiam o sono por terem seus nomes incluídos em muitas das Cartas Anônimas.

O livro, rico em humor, traz uma linguagem simples a exemplo dos moradores da antiga província. Sem dúvida, é uma leitura divertidíssima para não dizer imperdível! O risco é despertar, nos atuais moradores, a  antiga prática das Cartas Anônimas...

Informações sobre o autor –  Fernando Vita nasceu em 22 de dezembro de 1948, em Santo Antônio de Jesus, Bahia, Brasil. Formou-se em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia. Trabalhou no Jornal da Bahia como repórter, editor e crítico musical. Foi repórter freelance do Jornal do Brasil e das revistas Veja e Istoé/Senhor. Escreveu Tirem a doidinha da sala que vai começar a novela. Recebeu o Prêmio Braskem Cultura e Arte.

Referência bibliográfica
Vita, Fernando
Cartas Anônimas: uma hilariante história de intrigas, paixão e morte / Fernando Vita. – São Paulo. Geração Editorial, 2011.
181p.
ISBN 978-85-61501-60-0
1. Ficção brasileira - I. Título.

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Reparação – Ian McEwan


Cecilia Tallis, filha de uma família inglesa, cresceu em companhia do filho da faxineira e, sem perceber claramente, termina se envolvendo emocionalmente. Sua irmã, adolescente, Briony Talles, tinha a pretensão de se tornar escritora, presenciou dois fatos que culminaram no desenrolar de uma história falsa, abrangente e capaz de prejudicar as relações familiares.
Além do preconceito social que abarca a narrativa, a distorção dos fatos refletiu sobre o destino das famílias e teve como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial, que proporcionou o nivelamento dos protagonistas e os colocou em situações de equivalência.
O afastamento familiar e a contingência política, provocado não só pela situação de conflito, mas, também pela necessidade da individualização e conduta no anseio de uma reparação, tardou acontecer e ajudou a desenvolver a grandiosidade da história.
Cecilia não abriu mão do injustiçado Robbie Tuner, filho da faxineira. Abandona a família e vai ao seu encontro. Briony, por sua vez, resolve assumir o seu erro e surpreende o leitor ao revelar o nome do verdadeiro culpado do estupro da sua prima Lola.

O texto apresenta uma qualidade estonteante, com linguagem simples e envolvente, conduz o leitor a uma história rica em conflitos com alta dose de questionamentos comportamentais que remetem ao servilismo social, capaz de distorcer fatos com versões que podem aniquilar o prazer de viver.

Informações sobre o autor –  Ian McEwan nasceu em 1948, em Aldershot, Inglaterra. Publicou duas coletâneas de contos e uma dezena de romances, entre eles A criança no tempo, O jardim de cimento, Amor para sempre, O inocente, Sábado, Na praia e Amsterdam. Conquistou, entre outros prêmios, o Whitbread Award, 1987, e o Booker Prize, em 1998.

Referência bibliográfica
McEwan, Ian
Reparação / Ian McEwan; tradução Paulo Henrique Brito. - São Paulo. Companhia das Letras, 2002.
444p.
Título original: Atonement.
INBN 978-85-359-0235-8
1. Romance inglês - I. Título.


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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra - Mia Couto

O jovem Mariano, protagonista da história, foi requisitado para coordenar os procedimentos, comuns às famílias moçambicanas, da morte do velho Dito Mariano. Chegando à ilha Luar-do-Chão, tomou conhecimento, de forma inusitada, dos muitos fatos ocorridos na sua ausência e outros que ajudaram a elucidar questões a respeito da sua origem.

A história, aparentemente folclórica, envereda por crenças e valores regionais que precisam ser satisfeitos para alcançar os objetivos traçados pelo personagem central, o velho Dito Mariano.
Ciente da proximidade de sua morte, Dito Mariano, se faz de morto e orienta o jovem através de escritos que lhes são apresentados nas mais variadas situações.
Os procedimentos a serem cumpridos e as revelações de fatos da sua história envolve o protagonista, do início ao fim do texto.
Além dos rituais exigidos, o jovem foi obrigado a assumir importantes tarefas para salvaguardar a cultura local e as tradições familiares, que entravam em contradição com políticas progressistas.

As observações sobre a natureza se revelam a cada momento com ditos populares, próprios de um povo simples, porém, posseira de sabedoria: “O rio é como o tempo! Nunca houve princípio, concluía. O primeiro dia surgiu quando o tempo já há muito se havia estreado. Do mesmo modo, é mentira haver fonte do rio. A nascente é já o vigente rio, a água em flagrante exercício. O rio é como uma cobra que tem a boca na chuva e a calda no mar.” Com este linguajar o autor constrói a história de um povo e nela se inclui.

O texto é leve e curioso. O leitor que se deixar envolver na fala da ilha Luar-do-Chão, certamente, terá oportunidade de experimentar uma cultura enraizada em fundamentos onde a natureza é a essência da própria existência: “Desde o funeral que não pára de chover. Nos campos, a água é tanta que os charcos se cogumelam, aos milhares. Poeiras brancas ondulam à tona de água. Parece que a terra vomita esses pós brancos que, por descálculo, Juca Sabão teve a fatal ideia de semear. Quem disse que a terra engole sem nunca cuspir?”.

O livro aborda a história de uma família e suas crenças. Revela a natureza, na forma rudimentar. Retrata a política e seus conflitos, tangenciando a história, com foco nas possíveis consequências sociais.

Informações sobre o autor –  Mia Couto nasceu na Beira, em Moçambique, em 1955. Estudou medicina antes de se formar em biologia. Atualmente dedica-se a estudos de impacto ambiental. Em 1999, recebeu o prêmio Vergílio Ferreira pelo conjunto de sua obra; em 2007, o prêmio União Latina de Literaturas Românticas. Seu romance Terra Sonâmbula foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX. O escritor publicou, entre outros: O outro pé da sereia; A varanda do frangipani; Venenos de Deus, remédio do diabo; O fio das missangas.

Referência bibliográfica
Couto, Mia – 1955
Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra/ Mia Couto - São Paulo. Companhia das Letras, 2003.
262p.
INBN 978-85-359-0343-0
1. Romance moçambicano (Português) - I. Título.


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