segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Caçador de Pipas – Khaled Housseni

Um garoto rico, egoísta, covarde e ciumento, nascido no Afeganistão, arranja um amigo fiel que lhe serve de companheiro e se faz presente nas horas difíceis.
A covardia e insegurança de Amir certamente provocada pela ausência do bem sucedido pai e da falta da mãe que nem chegou a conhecer, estimulavam a agressividade praticada por outros garotos que também viviam em Cabul.

Sempre que Amir era agredido Hassan que figurava como seu empregado, se colocava em defesa. Assim se desenvolve o início da narrativa das vidas dos garotos, que apesar de próximos, tiveram experiências e sentimentos incríveis e singulares.

Enquanto Amir que participava da respeitada casta pashtun demonstrava fragilidade, Hassan que tinha motivos de sobra para se sentir inseguro por ser pobre, ter sido abandonado pela mãe e pertencer à etnia hazara, discriminada no Afeganistão, mostrava-se corajoso e decidido a enfrentar qualquer situação em defesa do amigo patrão.
O excesso de dedicação a Amir rendeu a Hassan algumas situações humilhantes, principalmente quando se opunha às provocações do grupo de Assef, um garoto que alimentava ódio pelos hazaras.

Apesar de filhos do mesmo pai com mães diferentes, Amir tentava entender as suas maldades e Hassan atuava com vigor e desembaraço em defesa do irmão, até que problemas políticos ocorridos no Afeganistão separaram os dois personagens: o rico migrou para os Estados Unidos e o pobre permaneceu em Cabul entregue às mazelas de um país invadido por forças russas e também submetido ao fundamentalismo religioso do talibã.

Nos Estados Unidos, anos depois de casar-se com a compreensiva Soraya, o médico Amir recebeu um telefonema de Rahim Khan amigo do seu falecido pai, que se encontrava doente no Paquistão. Decidiu partir ao seu encontro e de lá para o Afeganistão após tomar conhecimento da tragédia sucedida com Hassan e para tentar entender parte sua própria história.
Lá chegando, após as dificuldades encontradas no trajeto, encontrou um país destruído e quase não consegue reconhecê-lo. Agredido, e perseguido por ter abandonado o país, após ser informado por Rahim que Hassan era seu irmão, imagina poder corrigir erros do passado, a exemplo do ocorrido com a traição feita no dia do campeonato de pipas, quando Hassan foi estuprado por Assef e ele se omitiu.

Apesar de o romance possuir os ingredientes que atrai o leitor sublimando aspectos da personalidade humana, induz à identificação cultural norteamericana como uma das raras oportunidades para o alcance da felicidade, em detrimento dos demais princípios culturais e religiosos.

O livro fala da invasão russa, do regime talibã, mas omite o envolvimento político dos Estados Unidos na região.
Independente da tendência política e cultural o livro merece ser lido sobre o ângulo dos conflitos da psique. Neste aspecto ele atinge pleno objetivo.

Informações sobre o autor - Khaled Hosseini é médico nascido em Cabul capital do Afeganistão, com naturalização estadunidense. Sua mãe era professora e o seu pai trabalhou no Ministério do Exterior afegão. Em 1976 mudou-se com a família para Paris por conta do emprego do seu pai. Enquanto estavam em Paris, os comunistas assumiram o poder. Formou-se em medicina na Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos.

3 comentários:

  1. É um livro brilhante, digno de leitura e que, diferente da manioria dos best-selers, possui um grande valor literário.

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  2. Caro Ivaldo,
    Grato pelo comentário.
    Um abraço

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  3. Gostei muito do livro e, por isso não quis ver o filme. Achei que em pouco mais de uma hora não fariam um bom filme.

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