domingo, 1 de fevereiro de 2009

Quando Nietzsche Chorou - Irvin D Yalom


O doutor Josef Breuer, médico, casado com Mathilde filha de uma rica família e o importante filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche, apaixonado pela atraente russa Lou Salomé, amargam duelos de titãs, cujos ensinamentos foram absorvidos por Freud, amigo, confidente e discípulo do médico.

Apesar de pouco interesse que tinha por Nietzsche, Salomé percebeu, nele, conflitos existenciais que poderiam levá-lo ao suicídio. Escreveu ao famoso médico Breuer para convencê-lo a tratar das enxaquecas do filósofo.
Breuer fez algumas exigências e terminou se encontrando com Salomé, em Veneza, para discutirem a estratégia da consulta, já que Nietzsche não poderia saber o que estava sendo arquitetado.
Terminou o conceituado médico sendo, também, atraído por Salomé.
Breuer, que não conhecia Nietzsche, decidiu ler seus desconhecidos livros para se inteirar da sua personalidade e ajudá-lo na curar. Os pensamentos do professor e filósofo exacerbaram a curiosidade do médico, facilitando a sua concordância com o plano de Salomé.
Convencido, Nietzsche aceitou se consultar com Breuer, contudo, devido à falta de recursos para financiar as despesas do tratamento resolveu interrompê-lo.
Breuer sem querer perder a oportunidade de conviver com o filósofo, lhe ofereceu, gratuitamente, um quarto na clinica pertencente à família de Mathilde, a sua esposa. Depois de rechaçar, inicialmente, a oferta, o filósofo terminou aceitando a gratuidade em troca de serviços a serem prestados a Breuer, já que o médico se dizia confuso com o seu relacionamento familiar. O duelo entre os dois é acirrado: o médico cuida de Nietzsche e o filósofo questiona Breuer sobre aspectos existenciais.
Apesar de casado com uma mulher bonita com a qual teve três interessantes filhos, Breuer sentia-se só e sem objetivos na vida. Sua jovem paciente Bertha Pappenheim, que sofria de problemas mentais, graves, o envolveu emocionalamente, a ponto de ser notado por sua esposa que resolveu pedir para que ele suspendesse o tratamento da paciente e transferisse os cuidados médicos para outro profissional.

Os possíveis diálogos entre os dois principais protagonistas, que nunca se encontraram na vida real, mostram o quanto teria sido interessante este combate.
O respeitado filósofo, egocêntrico, que não acreditava em Deus e imaginava ser ele próprio a sua melhor companhia, deixa o médico, estudioso de mentes, em situações conflitantes, ao ponto de se aconselhar com o seu discípulo Freud.
O leitor se imagina nos debates entre Breuer e Nietzsche e alterna a sua adesão às idéias do médico analista e às do filósofo ateu. Existem momentos de impasse, contudo, devido à abrangência do diálogo e a inteligência dos personagens surgem soluções e alternativas inimagináveis.
Em um dos capítulos, a trama é tão bem construída que o leitor é levado a acreditar que Breuer toma decisões importantes em relação à sua família, contudo não passa de um panorama, criado pelo autor, para abordar o provável início do estudo dos sonhos usado na psicanálise.
As idéias filosóficas deliberam que a felicidade só pode ser alcançada quando o ser humano determina os seus próprios valores, sem influências das sociedades e das religiões. Os valores são incorporados, através do constante estado de renascimento e crescimento que capacita o ser humano para as fontes do prazer, através do bem e do mal.

O desequilíbrio emocional de Nietzsche, provocado possivelmente por doenças de fundo psicossomáticas, o deixava acamado por vários dias, fazendo ver a Breuer a possibilidade de restabelecer sua saúde. Para agravar o fato outros fatores relacionados a exemplo da dificuldade de visão, dores de cabeça, vômitos e acidez estomacal contribuíam para o seu desespero.
A obsessão pelo próprio corpo induziu ao filósofo concluir que o seu sofrimento advinha de uma punição. Tornou a sua aparência tímida e triste, de um homem solitário.
Nietzsche passa por fortes crises existenciais e Josef Breuer sofre por se sentir encarcerado na própria vida. Enquanto o primeiro poderia cometer suicídio, o segundo apresentava sentimentos de fraqueza, por ter abandonado o amor da jovem Bertha, sua ex-paciente.

Os dois personagens tentam resolver as suas posições sobre os processos psicanalíticos e filosóficos nas seções de autoconhecimento. Os rumos confusos da solidão, do temor, da agonia, do amor e do abandono terminam por engrandecer a obra, por serem debatidos por importantes personagens da vida real que dão vida à ficção.
O livro, que é uma história fantasiosa, trata do início da psicanálise. O embate entre a psicanálise e a filosofia rende um diálogo interessantíssimo e deixa o leitor com gosto de “quero mais”.

Informações sobre o autor – Irvin D. Yalom é um escritor americano, filho de imigrantes russos. Formou-se em psiquiatria na Universidade de Stanford. O seu primeiro romance foi “Quando Nietzsche Chorou”. Escreveu também “A Cura de Schopenhauer”, “Mentiras no divã” e “Os desafios da terapia”. ()

3 comentários:

  1. adorei a análise do livro. Até deu vontade de ler..

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  2. Olá, May
    Grato pela visita e comentários.

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  3. eu so nao entendi o titulo do livro... por que nietzsche chorou? desculpa minha ignorancia!

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