quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O Jogador – Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski


A história relata o envolvimento de Alexei Ivanovich, um prospector encarregado da educação dos filhos de um general, viúvo, que vive como hospede em um hotel, acompanhado de sua enteada Paulina Alexandrovna e tem como pano de fundo os efeitos maléficos o vício do jogo.

Paulina é usada, pelo general, para flertar com pessoas responsáveis por financiar a sua dívida originada do jogo, que tinha como garantia os bens da vovó Antônia Vassilievna, cuja morte era aguardada, com ansiedade, pelo general e seus credores.

A proximidade de Alexei terminou em amor platônico e o fez querer entender o que havia, sob sigilo, nos relacionamentos entre Paulina e outros personagens da história. A admiração dele, por Paulina, não tinha limite, jurava devoção e se submetia a qualquer exigência para que seus valores fossem reconhecidos por ela. Quanto mais Alexei tentava se aproximar, ela dissimulava e estimulava o seu ciúme.
Até que Alexei encontrou, na roleta, uma alternativa para ajudar a amada se desvencilhar do general, tornado-se, a mando de Paulina, um jogador, contudo, a princípio, de nada lhe serviu para conquistar o respeito, apesar de se tornar um ganhador e como tal, a exemplo dos grandes ganhadores, conquistar, momentaneamente, o reconhecimento dos freqüentadores do cassino.

Enquanto a história amorosa se desenrola, o general continua prisioneiro das mordaças financeiras impostas pelos agiotas Astley e Grieux.

Quando tudo parecia caminhar para um desfecho confortável, o grupo foi surpreendido com a chegada da vovó Antônia Vassilievna ao hotel, o que terminou criando um rebuliço com suas extravagâncias, dando curso contrário ao esperado. Alexei que se encontrava desprestigiado pelo general, obteve apoio da vovó e passou a acompanhá-la em muitas investidas nas roletas. A preocupação com a quebradeira da excêntrica senhora, devido o jogo, passou a não ser só do general, mas, também, dos que esperavam receber a dívida através do patrimônio que começava a ser desperdiçado no cassino.
Alexei de relegado passou a estratégico para o grupo, por crerem que só ele seria capaz de fazê-la parar de jogar, o que, efetivamente, não ocorreu. A velha terminou deixando grande parte de sua fortuna apostando no “zero” das roletas do cassino.

Desiludida, Antônia Vassilievna , retornou pra casa no intuito de cuidar do que ainda restava do patrimônio, enquanto Alexei decidiu investir pesado na jogatina e terminou ganhando muito dinheiro. Logo, chamou a atenção da Mademoiselle Blanche, uma vigarista francesa, que andava enrabichada com o general. Mudou-se, com Blanche, para Paris e em poucos meses a trapaceira tomou-lhe a maior parte do dinheiro. Preso, por dívida, Alexei teve sua fiança paga não se sabe por quem. Após sua soltura encontrou-se com o inglês Astley que lhe revelou a localização de Paulina. Enquanto isto, a vigarista Blanche abrigou, em Paris, o general caduco em um apartamento decorado com dinheiro de Alexei.
Narra, a história, que a sobra do patrimônio da vovó terminou ficando com a Mademoiselle Blanche, por ter se aproveitado da caducagem do general.

Dostoiévski conta, com riqueza de detalhes, as emoções e os efeitos danosos do jogo. Ele, que era um jogador compulsivo, conseguiu revelar os danos e a angústia de tentar superar a falta de lógica ao giro do circulo numerado chamado roleta, inventada pelo francês Louis Blanc.

Informações sobre o autor Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, nasceu em Moscou, em 1821. Cursou engenharia e estreou na literatura em 1845. Foi condenado à morte em 1849, por envolvimento com política liberal. Minutos antes do fuzilamento, sua pena foi modificada por um período de exílio na Sibéria. Morreu em São Petersburgo, em 1881. É autor de Irmãos Karamazóv, O Jogador, Notas de Subsolo, O Eterno Marido, e Recordações da Casa dos Mortos. É considerado o mais importante romancista russo. 

Referência bibliográfica
Dostoiéviski, Fiódor, 1821-1881.
O jogador / Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski;
tradução de Roberto Gomes. - Porto Alegrre: L&PM, 2009.
208p. ; 18cm. - (Coleção L&PM Pocket)
1.Ficção russa-romances. I.Título.II.Série.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Príncipe – Nicolau Maquiavel

Maquiavel sonhou unificar a Itália e defendê-la dos povos estrangeiros. Escreveu O Príncipe e dedicou a obra a Lourenço de Medici.
“Espero que não seja considerado presunçoso que um homem de baixa e ínfima condição ouse examinar e regular o governo dos príncipes; pois, assim como os que desenham as paisagens se colocam embaixo, na planície, para observar a natureza dos montes e dos lugares elevados, e, para observar a forma dos lugares baixos, se colocam no alto, em cima dos morros, assim, também, para conhecer a natureza dos príncipes, é preciso ser do povo.”

Sobre o tempo, Maquiavel, tinha uma concepção realista. O via como solução e problema: “Gozar os benefícios do tempo, mas também os benefícios de sua virtù e prudência, porque o tempo arrasta todas as coisas e pode transportar consigo o bem como mal, e o mal como bem.”
Sobre a prudência, Maquiavel, revela sua preferência pela excelência: “Como os homens trilham quase sempre caminhos abertos por outros e pautam suas ações pelas imitações, embora não possa seguir em tudo os caminhos dos outros nem igualar a vritù daqueles que imita, um homem prudente deve sempre seguir os caminhos abertos pelos grandes homens e espelhar-se nos que foram excelentes.”
Para Maquiavel, a oportunidade só pode ser aproveitada se houver capacidade e esta só será utilizada com chance: “Sem ocasião a virtù de seu ânimo se teria perdido, assim como, sem virtú, a ocasião teria vindo em vão.”
Maquiavel via o processo de mudança como um dos mais difíceis, não só pela dúvida do resultado, mas, também, pela oposição dos que se beneficiam da situação atual e da fragilidade do apoio dos defensores do processo. Chegou a defender que o sucesso das mudanças está baseado na força em vez do convencimento. Entendia que a natureza dos povos é variável, e se é fácil convencê-los, é difícil mantê-los na convicção: “Devemos convir que não há coisa mais difícil de se fazer, mais duvidosa de se alcançar, ou mais perigosa de se manejar do que ser o introdutor de uma nova ordem, porque quem o é tem por inimigos todos aqueles que se beneficiam com a antiga ordem, e como tímidos defensores todos aqueles a quem as novas instituições beneficiariam.”
Sobre o mal e o bem, Maquiavel, tinha como concepção minimizar os efeitos do primeiro e prolongar os do segundo. Entendia que os homens se vinculam aos seus benfeitores quando recebem o bem e esperavam o mal: “As injúrias devem ser feitas conjuntamente a fim de que, sendo menos saboreadas, ofendam menos, enquanto os benefícios devem ser feitos pouco a pouco, para serem mais bem apreciados.”
Sobre a crueldade e a piedade, Maquiavel, revela sua percepção a respeito dos efeitos das ações tidas como severas. Tinha o conceito de que os homens são ingratos, volúveis, simulados e fiéis enquanto usufruem o bem, mas quando deles se precisa, revoltam-se: “Eventualmente a crueldade poderá servir para manter os súditos unidos e obedientes, sendo mais piedoso do que deixar evoluir a desordem com excesso de piedade.”
A posição de Maquiavel sobre a amizade revela uma postura transparente naquilo que é mais apropriado e que melhor se adéqua, enquanto os inimigos pedem passividade: “Os que não são teus amigos sempre te pedirão neutralidade, enquanto teus amigos te pedirão para tomar armas.”
A escolha dos colaboradores, para Maquiavel, mostra a inteligência de quem os seleciona. Vejamos: “A primeira conjetura que se faz a respeito da inteligência de um senhor baseia-se na observação dos homens tem em torno de si. Se estes forem competentes e fiéis, o príncipe sempre poderá ser reputado sábio porque soube reconhecê-los como competentes e mantê-los fiéis.”
Maquiavel reservou tratamento especial e cuidadoso para os aduladores. A escolha deve partir da autoridade. Os pareceres e sugestões devem ser solicitados, jamais de forma espontânea. Neste tema, o autor se excluído do adjetivo, já que a obra foi escrita e dedicada a um príncipe sem que ele o tenha pedido: “Não há outro modo de proteger-se dos aduladores senão fazendo os homens entenderem que não te ofendem ao dizerem a verdade. Se, porém, todos a puderem dizer, te faltarão ao respeito.”
Quando Maquiavel fala sobre a fortuna acaba revelando de forma subjetiva, o conceito que tinha, em 1513, sobre as mulheres: “E melhor ser impetuoso do que prudente, porque a fortuna é mulher, e é necessário, para dominá-la, bater-lhe e contrariá-la.”

O autor acreditava na repetição inevitável dos ciclos, provocado por instabilidades políticas, sociais e econômicas. A realidade era vista de forma absoluta, e a racionalidade não garante moralidade dos meios, tampouco dos fins. O homem é parte da história, apesar de não ter motivos para orgulhar-se dela.
Enfim, Maquiavel, enxergava o mundo como base na realidade dos fatos históricos, e, exalta a capacidade de adaptação aos acontecimentos como forma de permanência no poder, diferente de outros pensadores políticos que desenharam o mundo imaginário, ideal, e maravilhosos.

Informações sobre o autor - Nicolau Maquiavel nasceu em 1469, em Florença, Itália. Foi diplomata, poeta, escritor e historiador, além de músico. Fundador do pensamento e da ciência política moderna. Baseou seus textos na realidade do Estado e do Governo em vez de conjecturar de como estes deveriam ser. O adjetivo “maquiavélico”, originário de críticas às suas opiniões, rotulou suas idéias como sinônimo de esperteza e astúcia, contudo, posteriormente, sua obra passou a ser reconhecida como o início da ciência política realista moderna. Durante o governo de Lourenço de Médici entrou para a política como secretário da Segunda Chancelaria, e, neste cargo, pode observar comportamentos políticos que deram fundamentos aos escritos.  

Referência Bibliográfica
Machiavelli, Nicolò, 1469-1527.
O Príncipe / Nicolau Maquiavel; tradução Maria Júlia Goldwasser; revisão da tradução Zelia de Almeida Cardoso. - 3ª ed. totalmente rev. -São Paulo : Martina Fontes, 2004 - (Coleção obras de Maquavel)
182p.
Título original: II Principe.
Inclui vida e obra de Maquiavel.
ISBN 85-336-1947-2
1. Política I. Título. II. Série

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