domingo, 30 de janeiro de 2011

1984 – George Orwell

A mais renomada obra do inglês George Orwell fala de um presente no futuro. Para compreendê-la, faz-se necessário algum conhecimento histórico dos sistemas políticos filosoficamente contraditórios, porém, convergentes quanto ao totalitarismo usado na União Soviética e Alemanha. Stalin e Hitler se completavam, apoiados por grande parte da população. Os que não compartilhavam das suas idéias foram enxotados, executados, deportados, presos, ou submetidos a privações.
A obra cujo título seria 1948, ano em que foi escrita, por exigência dos editores, foi alterada para 1984. Ou seja, o presente tornou-se futuro. As observações a respeito dos acontecimentos, apresentados como ficção, resumem o descontentamento do autor a respeito da forma como o ser humano era tratado pelas grandes potências e aceitas, de forma leniente, pelos blocos geoeconômicos.

O autor critica as práticas utilizadas pelos regimes totalitários, ao enxergar o indivíduo como uma peça do jogo criado para servir ao Estado. Em várias ocasiões, o protagonista da história, Winston Smith, chama a atenção para ações que desmontam fatos reais e os apresentam com características aparentemente verdadeiras, mas não passavam de nova roupagem, utilizada para ajudar a consolidar o poder: “As vantagens imediatas de falsificar o passado eram óbvias, mas a razão profunda era misteriosa.”

O protagonista, membro do Partido, sentia-se constantemente vigiado pelas chamadas teletelas e era colocado à prova da sua concordância quanto às práticas de manipulação, opressão e tortura, usadas na manutenção do sistema político.
Para o Partido o que o indivíduo achava ou deixava de achar pouco importava, a norma devia ser seguida sem questionamentos: “O Partido não está preocupado com a perpetuação de seu sangue, mas com a perpetuação de si mesmo. Não importa quem exerce o poder, conquanto que a estrutura hierárquica permaneça imutável.”
Qualquer atitude suspeita, significava o fim do indivíduo. Alguns eram submetidos à lavagem cerebral, outros simplesmente desapareciam: “Um dia desses, pensou Winston, assaltado por uma convicção profunda, Syme será vaporizado. É inteligente demais. Vê as coisas com excessiva clareza e é franco demais quando fala. O Partido não gosta desse tipo de gente. Um dia ele vai desaparecer. Está escrito na cara dele.”

Apesar da angustia representada no texto, fruto da opressão e do controle exagerado, o autor arrumou espaço para o romantismo poético, e, descreve um ambiente onde teve um encontro íntimo com Júlia, contrariando o Partido quanto a prática sexual com prazer: “Winston avançava pelo caminho em meio a um mosqueado de luz e sombra, pisando em poças douradas sempre que os galhos das árvores se distanciavam um dos outros. Sob as árvores à esquerda, o solo era um nevoeiro de jacintos. O ar parecia beijar a pele. Era dia dois de maio. De algum lugar mais para o interior do bosque vinha o arrulho de torcazes.” 

A obra, ainda atual, chama a atenção para a vigilância dos fatos, tendências políticas e o uso do poder.

Informações sobre o autor – George Orwell nasceu em Motihari na Índia, no ano de 1903. Completou seus estudos na Universidade de Eton. Aos 19 anos entra para a Polícia Imperial Britânica. Passou muitos anos entre a Índia e a Birmânia. Revolta-se com o imperialismo inglês. Considera seu passado vergonhoso, e por isso muda seu nome. Seu nome verdadeiro é Eric Arthur Blair. Trabalha como operário de fábrica em Paris e depois como professor primário em Londres. Assim, sente pela primeira vez a opressão da classe trabalhadora. Neste contexto ele começa a escrever. Participa da Guerra Civil Espanhola em 1936, lutando ao lado do P.O.U.M. (Partido Obrero de Unificación Marxista). George Orwell era a favor das classes sociais baixas e se decepcionou com os Partidos Comunistas da época, fiéis aos ditames de Moscou. Era um anti-stalinista, não pelo socialismo, mas contra todo o tipo de totalitarismo. Escreveu "Na pior em Paris e Londres", "A flor da Inglaterra", "Dias na Birmânia", "O caminho para Wigan Pier", “A Revolução dos Bichos”, entre outros títulos.

Referência bibliográfica
Orwell, George, 1903 - 1950
1984 / George Orwell; tradução Alexandre Hubner, Heloisa jahn;  posfácio Erich Fromm, Ben Pimlott, Thomas Pynchon. – São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
414p.
Título original: 1984
INBN 978-85-359-1484-9
1. Romance inglês I – Fromm, Erich, 1900-1980. II Pemlott, Bem 1945 – 2004. III Pynchon, Thomas, 1937 - IV. Título.


R

domingo, 16 de janeiro de 2011

A Condição Humana - André Malraux

O romance aborda sobre o comportamento de pessoas envolvidas na revolução comunista chinesa, a tendência nacionalista, o interesse de nações com sistemas de governo centralizadores e autoritários, o esforço de empresas e instituições financeiras para manterem o status quo, na medida em que a mobilização de grupos organizados na clandestinidade começa a ganhar força.

Tchen, um dos protagonistas, mata um fornecedor de armas e toma consciência que a luta tinha tornado o seu destino irreversível. A morte era tida como certa diante da escolha que havia feito. Questiona o autor: “- Não lhe parece uma estupidez característica da espécie humana que um homem que só tem uma vida possa perdê-la por uma ideia?”
Enquanto Tchen vai ao encontro da morte, outros companheiros buscam a dignidade e até mesmo o ópio para anuviar suas agruras, apesar de defenderem o mesmo ideal. Assim é A Condição Humana; formas distintas de ações sobre o mesmo princípio.

O texto, publicado em 1933, escrito em forma de reportagem, não prende o leitor devido à forma da escrita e a dinâmica dos diálogos. Torna-se cansativo, apesar da sua importância política e destaca as questões morais que tomam forma nos diversos personagens.

Informações sobre o autor - André Malraux nasceu em Paris em 1901, participou ativamente das maiores batalhas ideológicas deste século, desde o nacionalismo chinês até a Guerra Civil espanhola e luta de vida ou morte contra o nazismo. Militante de esquerda, ligado ao Partido Comunista Francês, permaneceu livre, porém, para se opor ao banimento de Trotsky e se rebelar contra o regime ditatorial de Stalin na União Soviética. Entre 1958 e 1969, Malraux participou do governo do general Charles de Gaulle como ministro da Cultura. Morto em 1976, André Malraux é autor de numerosos romances e ensaios, entre eles Os Conquistadores (1928), A Estrada Real (1930) e A Condição Humana (1933) e O Tempo do Desprezo (1935).

Referência bibliográfica
Malraux, André, 1901 - 1976
A condição humana / André Malraux; tradução e prefácio de Ivo Barroso. - 3ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2009.
317p.
Tradução de: La condition humane
ISBN 987-85-01-05082-3
Romance francês. I. Barroso, Ivo. II.Título

Ocorreu um erro neste gadget