sábado, 20 de dezembro de 2008

O Castelo - Franz Kafka

No livro “O castelo” escrito por Franz Kafka há o relato da busca incessante do personagem “K” para tentar conhecer os processos que permeiam o poder.
O senhor “K”, contratado pelo castelo para realizar serviços de agrimensura, ficou inseguro ao tentar se apresentar para receber as orientações necessárias à execução das atividades, e se deparou com uma situação inusitada: Klamm, seu possível chefe não permitiu o contato.

O agrimensor lutou desesperadamente, através do mensageiro Barrabás, marcar uma conversa com Klamm. Sem sucesso, resolveu afrontá-lo conquistando Frieda, funcionária da hospedaria, cujo prestígio na comunidade era amplo por ser amante de Klamm.
O agrimensor condicionou o seu matrimônio com Frieda ao fato de Klamm recebê-lo para uma conversa, já que ela havia sido sua amante. Esta exigência deixa transparecer dúvidas quanto ao seu real interesse em Frieda.

“K” encontrou-se com o prefeito, que habilmente desmereceu o serviço para o qual havia sido contratado, enfraquecendo propositadamente a sua posição. Nesta conversa o prefeito convenceu “K” a aceitar a tarefa de servente em uma escola da comunidade em substituição a para a qual ele havia sido contratado. Deixou transparecer que apesar de não haver necessidade do novo serviço estava autorizando por exercício de autoridade, inclusive, a sua permanência nas dependências da escola juntamente com Frieda, e os seus dois ajudantes.
A proposta aceita por “K” por falta de alternativa, sinalizou que Klamm não tinha o poder que diziam possuir. Há de se entender que o prefeito usou “K” para enviar a Klamm uma mensagem subjetiva sobre as forças contrárias existentes nas relações políticas administrativas.

Na busca incansável de explicação para o que estava acontecendo “K” se depara com Olga, irmã de Barrabás o mensageiro de Klamm, que depois de longa conversa põe em dúvida o poder de Klamm e de outros funcionários do castelo, referindo-se inclusive às mensagens ditas como enviadas por Klamm como possíveis de não serem oficiais.

Por fim, Pepi que substituiu Frieda nos serviços do balcão da Hospedaria dos Senhores após o rompimento do relacionamento com Klamm, ao sentir a possibilidade do retorno dela (Frieda) ao seu posto, tentou incutir na mente deste que a facilidade que ele teve para conquistá-la ocorreu devido o interesse de Frieda de usá-lo para chamar a atenção do ex-amante Klamm.

Pelo visto, Franz Kafka acreditava que o poder é capaz de desenvolver tentáculos eficazes de sustentar estruturas administrativas hierárquicas incoerentes, que funcionam para satisfazerem interesses esdrúxulos, cujo uso envolve o relacionamento humano, e este pode se tornar fator importante no divisor de águas.

O poder atrai todos os tipos de energia, e, o bom exercício passa por permear o linear da ética, os interesses públicos e sociais. 

Informações sobre o autor - Franz Kafka nasceu em Praga a 3 de julho de 1883. Filho de um abastado comerciante judeu cresceu sob as influências de três culturas: a judia, a tcheca e a alemã. Formado em direito, ele fez parte, junto com outros escritores da época, da chamada Escola de Praga. Esse movimento era basicamente uma maneira de criação artística alicerçada em uma grande atração pelo realismo, uma inclinação à metafísica e uma síntese entre uma racional lucidez e um forte traço irônico.  

Referências bibliográficas 
Kafka, Franz. 1883 -1924.
O castelo / Franz Kafka; tradução e posfácio Modesto Carone - São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
365p
ISBN 978-85-359-1174-9
1.Romance alemão - Escritores tchecos I. Carone, Modesto - II. Título

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