sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Caim e Abel - Jeffrey Archer

Uma criança pobre nasceu em 18 de abril de 1906 em uma floresta de Slonim, na Polônia. Encontrado por um garoto ao lado da mãe morta, após o parto, foi socorrido por uma família extremamente pobre que possuía seis filhos. Foi tratado como filho do casal Jasio Koskiewicz e Helena, que moravam em uma cabana nas terras do poderoso Barão Rosnovski.
Apesar das dificuldades financeiras dos pais adotivos o franzino Wladeck Koskiewicz foi bem cuidado por Helena e por sua irmã adotiva, Florentyna.

Certo dia os pais adotivos tiveram uma grande surpresa: o Barão Rosnovski, patrão de Jasio, se interessou por conhecer o garoto Wladeck, atraído pela fama de sua inteligência.
Após o encontro, o Barão o convidou a frequentar seu castelo e fazer companhia ao seu filho Leon e ajudá-lo nos estudos.
A aceitação do convite, por Wladeck, foi condicionada à companhia de sua irmã Florentyna, que passou a frequentar outros ambientes no castelo.
A convivência pacífica com Leon possibilitou o aproveitamento do aprendizado de Wladeck, devido à disponibilidade de capacitados professores que frequentavam o castelo do Barão Rosnovski.

As forças revolucionárias, ao adentrarem no castelo durante a invasão russa na Polônia, provocaram a morte de Leon e as prisões de Wladeck e do Barão, na masmorra do castelo, juntamente com alguns serviçais.
O sofrimento pela perda da liberdade, do poder e do filho deprimiu o Barão e estreitou as relações com Wladeck, que lhe dedicou carinhosa atenção.
Os dias se passaram e por força do acaso, diante do insuportável calor existente no cubículo que habitavam, Wladeck tirou a camisa e o Barão percebeu que o garoto, assim como ele, apresentava o mesmo sinal de nascença.
De pronto o reconheceu com seu filho e decidiu lhe passar, antes de sua morte, uma grossa pulseira de prata símbolo da família Rosnovski.

Depois de aprisionado pelos russos e alemães durante a primeira guerra mundial, Wladeck fugiu da Sibéria em um trem. Durante o processo de fuga terminou sendo salvo da espada de um carrasco turco, graças à pulseira recebida do pai. Foi identificado por um dos presentes com membro da importante família.

Com a ajuda de Pawel Zaleski, da embaixada da Polônia, em Constantinopla, terminou embarcando em um navio com destino a Nova York.
Durante a viagem conheceu o amigo George e a namorada Zaphia.
Ao desembarcar nos Estados Unidos, devido à dificuldade de comunicação, um policial americano da imigração resolveu trocar o nome de Wladeck para Abel Rosnovski.
Abel trabalhou como ajudante de açougueiro e em restaurante de hotel, casou-se com Zaphia, teve uma filha e pôs o nome de Flotentyna, em homenagem à sua irmã.
Destacou-se no que fazia, e foi convidado para trabalhar como subgerente na rede de Hotéis Richmond, do empresário Davis Leroy, cuja única filha Malanice Leroy se interessou pelo imigrante.

No mesmo dia que Wladeck (Abel) nasceu na Polônia, Ane Kane casada com Roberts tradicional banqueiro americano, deu a luz ao filho William Lawelle Kane (Caim) em uma maternidade na cidade de Boston.
Após o nascimento do filho, o banqueiro Roberts se preocupou em planejar seu futuro e telegrafou para o diretor do respeitado Colégio St. Paul´s School para reservar vaga.
Após a morte do banqueiro, sua esposa Ane casou-se com o jogador Henry Osborne que lhe roubou a herança de quinhentos mil dólares, prometendo negócios fictícios.
Caim mandou investigar Osborne e descobrindo suas falcatruas.

Já como diretor do banco do pai, e conhecedor teórico dos negócios financeiros, Caim, ainda jovem, foi submetido a uma disputa interna até se tronar presidente da instituição, cujo pai havia sido seu maior acionista.
A presença de um amigo de colégio no banco enfraqueceu Caim perante o conselho da instituição, devido à aparente falta de interesse e seu estilo de vida.

A dificuldade financeira da rede de Hotéis Richmond provocada pela crise de 1929, época em que se encontrava em ativa expansão nos Estados Unidos, terminou com o endurecimento do crédito, necessário a continuidade do projeto de expansão. O banco resolveu negar apoio ao empresário Davis Leroy e este cometeu suicídio.
Devido ao fato, Abel tornou-se proprietário da rede de hotéis, disposto a vinga-se da morte do amigo Davis Leroy. Influente na política foi grande colaborador de governos. Juntou-se a Henry Osborne, ex-marido da mãe de Caim, para destruir aquele que imaginou ter sido o mentor da ruína de Davis, seu amigo.

A história fica mais intrigante quando o filho de Caim se apaixona por Florentyna, filha de Abel. De um lado, Caim torce pela separação do casal e do outro, com a ajuda de George, seu fiel escudeiro, Abel usa de chantagem na tentativa de trazer de volta a filha para perto dos seus negócios.
O casal resolve mudar-se de cidade para não ser importunado e anos depois Florentyna abre uma cadeia de lojas com o seu nome.
Ao inaugurar uma das Lojas Florentyna, Caim e Abel se encontram.
Uma revelação foi feita.
Conclui-se que o ódio foi inútil, equivocado e carente de fundamento.

A saga de sessenta e cinco anos das vidas de Abel Rosnovski e William Kane é contada de forma extraordinária. Os capítulos alternam as histórias dos personagens até o momento que os interesses se conflitam. Daí em diante, a emoção, que já abarca o início do texto, cresce como um duelo de titãs.

Informações sobre o autor - Ex-vice-presidente do Partido Conservador britânico e membro da Câmara dos Lordes, Jeffrey Archer é aclamado como um dos mais talentosos escritores. Possui mais de 30 livros publicados, entre eles “A filha pródiga” e “O quarto poder”.

Referência bibliográfica
Archer, Jeffrey
Caim & Abel /Jeffrey Archer - tradução de José Antônio Arantes. - Rio de Janeiro: Sextante, 2008.
Tradução de: Kane & Abel
409p.
ISBN 978-85-99296-31-8
1. Ficção inglesa. I. Arantes, José Antonio. II. Título.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Caçador de Pipas – Khaled Housseni

Um garoto rico, egoísta, covarde e ciumento, nascido no Afeganistão, arranja um amigo fiel que lhe serve de companheiro e se faz presente nas horas difíceis.
A covardia e insegurança de Amir certamente provocada pela ausência do bem sucedido pai e da falta da mãe que nem chegou a conhecer, estimulavam a agressividade praticada por outros garotos que também viviam em Cabul.

Sempre que Amir era agredido Hassan que figurava como seu empregado, se colocava em defesa. Assim se desenvolve o início da narrativa das vidas dos garotos, que apesar de próximos, tiveram experiências e sentimentos incríveis e singulares.

Enquanto Amir que participava da respeitada casta pashtun demonstrava fragilidade, Hassan que tinha motivos de sobra para se sentir inseguro por ser pobre, ter sido abandonado pela mãe e pertencer à etnia hazara, discriminada no Afeganistão, mostrava-se corajoso e decidido a enfrentar qualquer situação em defesa do amigo patrão.
O excesso de dedicação a Amir rendeu a Hassan algumas situações humilhantes, principalmente quando se opunha às provocações do grupo de Assef, um garoto que alimentava ódio pelos hazaras.

Apesar de filhos do mesmo pai com mães diferentes, Amir tentava entender as suas maldades e Hassan atuava com vigor e desembaraço em defesa do irmão, até que problemas políticos ocorridos no Afeganistão separaram os dois personagens: o rico migrou para os Estados Unidos e o pobre permaneceu em Cabul entregue às mazelas de um país invadido por forças russas e também submetido ao fundamentalismo religioso do talibã.

Nos Estados Unidos, anos depois de casar-se com a compreensiva Soraya, o médico Amir recebeu um telefonema de Rahim Khan amigo do seu falecido pai, que se encontrava doente no Paquistão. Decidiu partir ao seu encontro e de lá para o Afeganistão após tomar conhecimento da tragédia sucedida com Hassan e para tentar entender parte sua própria história.
Lá chegando, após as dificuldades encontradas no trajeto, encontrou um país destruído e quase não consegue reconhecê-lo. Agredido, e perseguido por ter abandonado o país, após ser informado por Rahim que Hassan era seu irmão, imagina poder corrigir erros do passado, a exemplo do ocorrido com a traição feita no dia do campeonato de pipas, quando Hassan foi estuprado por Assef e ele se omitiu.

Apesar de o romance possuir os ingredientes que atrai o leitor sublimando aspectos da personalidade humana, induz à identificação cultural norteamericana como uma das raras oportunidades para o alcance da felicidade, em detrimento dos demais princípios culturais e religiosos.

O livro fala da invasão russa, do regime talibã, mas omite o envolvimento político dos Estados Unidos na região.
Independente da tendência política e cultural o livro merece ser lido sobre o ângulo dos conflitos da psique. Neste aspecto ele atinge pleno objetivo.

Informações sobre o autor - Khaled Hosseini é médico nascido em Cabul capital do Afeganistão, com naturalização estadunidense. Sua mãe era professora e o seu pai trabalhou no Ministério do Exterior afegão. Em 1976 mudou-se com a família para Paris por conta do emprego do seu pai. Enquanto estavam em Paris, os comunistas assumiram o poder. Formou-se em medicina na Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A Cabana - William P. Young

O livro traz uma história que provoca questionamentos referentes ao comportamento humano, a sua capacidade de praticar o perdão e fazer uso adequado do poder.
Refere-se às leis e regras impostas à sociedade como um exercício de comando.
A autoridade que ocorre nas relações familiares, religiosas e empresariais, aparecem como forma de poder e impede a manifestação do amor.

William simula diálogos com Jesus para despertar a importância de se vivenciar emoções do presente, sem preocupação com o futuro.

Quando se refere à mentira, o faz afirmando que ela não evita o sofrimento do iludido. A prática ocorre por insegurança do mentiroso, que não se sente capaz de enfrentar as próprias emoções, tampouco as do enganado, caso tivesse confessado a verdade.

Aborda ainda sobre a capacidade humana de superar as perdas. 

Informações sobre o autor - William P. Young nasceu em Alberta, no Canadá, e passou parte da infância em Papua Nova Guiné, junto com seus pais missionários, em uma comunidade tribal. Pagou seus estudos religiosos trabalhando como DJ, salva-vidas e em diversos outros empregos temporários. Formou-se em Religião em Oregon, nos Estados Unidos.

Referência bibliográfica
Young, William P.
A cabana /William P. Young - tradução de Alves Calado. - Sextante, 2008.
Tradução de: The shack

236p.
ISBN 978-85-99296-36-3
1. Mudança de vida - Ficção. 2.Criança desaparecidas - Ficção.3.Ficção americana. I. Alves - Calado, Ivanir, 1953 -. II. Título.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

1808 - Laurentino Gomes

No livro 1808 o leitor toma conhecimento de fatos ocorridos na história do Brasil, que elucidam questões que deveriam ser ditas nas escolas.
O autor não se posiciona de forma crítica, relata os fatos com base em pesquisas. De certa forma, é louvável a forma, já que o leitor, de acordo a sua maturidade política, poderá prescindir o que melhor lhe convier, e formar opinião dos fatos.

A monarquia portuguesa decidiu sair de Lisboa com destino à colônia, empurrada por Napoleão Bonaparte que estava decidido a invadir Portugal. Empobrecida, sem recursos financeiros e logísticos para combater Napoleão, a opção de D. João VI foi abandonar os súditos em Portugal com apoio da Inglaterra.

A frota de navios ingleses era composta por embarcações bem estruturadas e diferentes do que ocorria com a portuguesa. As embarcações portuguesas não passavam de sucatas. Por isso, e devido à forma, apressada, que saiu a corte para o Brasil, D. João IV chegou a Salvador sofrendo o “pão que o diabo amassou”.
Na Bahia, para tornar-se simpático aos brasileiros e atender acordos com a Inglaterra, decidiu abrir os portos da colônia às nações amigas.
Os países europeus estavam sendo invadidos pelo exercito do jovem general Napoleão. A Inglaterra manteve-se combatente às investidas do conquistador, logo, não é difícil concluir que ao “abrir os portos às nações amigas” D. João IV permitiu, apenas, que navios ingleses atracassem em portos brasileiros.

D. João VI foi um príncipe feio, com lábios pendentes, mãos finas, inseguro, tinha medo de caranguejos e trovoadas. O medo de caranguejo era tanto, que por recomendação média, ele devia tomar banho nas águas salgadas do Oceano Atlântico. Ao fazê-lo, usava uma piscina fabricada de madeira que era depositada nas praias do Rio de Janeiro, para evitar o contato com os crustáceos.

Para manter o elevado custo da corte, corrupta e perdulária, o monarca fez de tudo um pouco: trocava favores; ajudava a praticar genocídio com o tráfico de escravos; e recebia bens de traficante.
Enquanto recebia favores, mantinha custos elevados com a igreja, a exemplo de pagamento do valor equivalente a 14 mil reais por mês ao padre para confessar a rainha; subornava o proprietário do primeiro jornal publicado no Brasil para não divulgar notícias contrárias aos interessasses da monarquia.
Enquanto refugiado no Brasil, D. João VI contribuiu para a desordem e saques aos cofres públicos. Ao retornar a Portugal, traze anos depois, para conter movimentos da revolução liberal que surgiu na cidade do Porto, em 1920, devido o sentimento de abandono provocado pela vinda do monarca para a colônia, ele foi obrigado a concordar com as exigências das Cortes portuguesas, e jurar uma nova Constituição mesmo antes de desembarcar em Lisboa.

O autor também relata outros acontecimentos vividos por personagens famosas a exemplo de Carlota Joaquina, cuja convivência não foi nada pacífica; de Marrocos que era o responsável pala Real Biblioteca e chegou a comprar uma ama de leite negra por 179.200 reis para amamentar a segunda filha; e do movimento revolucionário tentado por Antônio Gonçalves em Pernambuco para liberar Napoleão Bonaparte da Ilha de Santa Helena, onde se encontrava preso.

O livro relata muitos outros detalhes da história brasileira que merecem ser conhecidas.

Informações sobre o autor - Laurentino Gomes é formado pela Universidade Federal do Paraná, com cursos de especialização nas Universidades de São Paulo, Cambridge, na Inglaterra, e Vanderbilt nos estados Unidos.

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