quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Shriver

Eva, mãe de Kevin, escreve várias cartas a Franklin, seu esposo, relembrando os fatos que possam ter sido determinante para justificar o comportamento esquisito do filho, que resultou na chacina de sete colegas, uma professora e um servente no ginásio de um colégio de Nova York.
A notícia sobre a gravidez e as recomendações para alteração dos hábitos alimentares incomodou a mãe de Kevin, não só em relação à mobilidade profissional, mas, também, quanto à mudança de foco. Afinal, Eva não se sentia preparada para alterar seus hábitos no relacionamento que tinha com fotógrafo Franklin. Kevin, veio ao mundo muito mais para satisfazer ao desejo do pai do que para contribuir na formação de uma estrutura familiar.
O parto sem anestesia, aos 37 anos, foi associado à derrota devido às limitações físicas e ao sofrimento. O bebê chegava ao momento de sair da barriga e Eva o trazia de volta para evitar a dor.
Kevin emite sinais de anormalidade. Em muitas ocasiões eram observadas pela mãe que não obtinha a atenção devida do pai, que considerava a maioria dos acontecimentos normais, próprios de crianças e adolescentes.
Eva cansou de tentar chamar a atenção do marido para o comportamento inadequado do filho e decide compensar o sentimento de insatisfação diante do fracasso, deixando-se engravidar. Desta feita, nasce Celia, tímida, insegura e amável. É ignorada pelo pai e se torna vítima das travessuras do irmão.

O livro evidencia a ausência de atitude, passividade e tolerância excessiva dos pais para com o comportamento dos filhos, que podem levar a distorção de personalidade.
“Quando se é pai, ou mãe, não importa qual seja o acidente, não importa a que distância você se encontra e o quão pouco possa evitar, a desdita sempre vai parecer culpa sua. Você é tudo que seus filhos têm, e a convicção deles de que você saberá protegê-los é contagiosa.”

A história é enriquecida nas duas últimas cartas escritas por Eva. Nelas algumas surpresas são reveladas.
Apesar da intensidade sórdida dos atos praticados, o texto induz ao leitor acompanhar a angustia da mãe, cujo filho arquitetou atos abomináveis que levaram aos assassinatos e à destruição da família.

Ao ver a fotografia que ilustra a capa do livro, Vicente, meu neto de dois anos, apontou para o livro e disse: “- gato malo!” Ele tem razão, Kevin é um gato malo!

Informações sobre o autor – Lionel Shriver nasceu com o nome de Margaret Ann Shriver em 1957, na Carolina do Norte, Estados Unidos, e mudou de nome aos 15 anos. Formada e pós-graduada pela Universidade de Columbia, viveu em Nairóbi, Bangcoc e Belfast. Precisamos falar sobre o Kevin ganhou o prêmio Orange, na Grã-Bretanha, em 2005. Sétimo romance da autora que escreveu The Female of the Species; Checker and the Derailleurs; Ordinary Decent Criminals; Game Control; A Perfectly Good Family; e The Post-Birthday.

Referências bibliográficas
Shriver, Lionel, 1957 -
Precisamos falar sobre o Kevin / Lionel Shriver; tradução de Beth Vieira e Vera Ribeiro. – Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007.
454p
Título original: We Need to Talk  Abaut Kevin.
ISBN 978-85-98078-26-7
1.Adolescentes (Meninos) – Ficção. 2. Ensaio secundário – Ficção. 3. Massacre – Ficção. 4. Romance americano - I. Vieira, Beth. II. Ribeiro, Vera. III. Título.

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