sexta-feira, 2 de abril de 2010

Relato de um Náufrago – Gabriel García Márquez

Na noite que antecedeu o retorno do destróier Caldas, da frota da marinha colombiana, dos Estados Unidos, onde havia sido reparado, um grupo de marinheiros preparou uma festa de despedida, se encheram de uísque, abraçaram e beijaram as namoradas que estavam deixando para traz, saíram do descanso forçado provocado pela reforma da embarcação e assumiram seus postos de trabalho.

Ao enfrentarem uma tempestade no mar do Caribe, o comando do Caldas determinou que oito tripulantes parassem de curtir a ressaca, em seus aposentos, e subissem para contrabalançar a embarcação, desalinhada pelas fortes ondas. Entre os tripulantes estava o protagonista da história, Luís Alexandre Velasco.

Onda pra lá, onda pra cá, os oito tripulantes foram arremessados ao mar, juntamente com um carregamento, nada comum em uma embarcação de defesa nacional. O destróier carregava contrabando de eletrodomésticos, trazidos dos Estados Unidos com destino à Colômbia, enquanto o país vivia sob a ditadura militar do general Gustavo Rojas Pinilla.

Velasco, o único sobrevivente entre os que caíram no mar, conseguiu agarrar-se a uma balsa e ficar dez dias, a deriva, lutando pela sobrevivência, sem comer, e sem beber.
Enquanto a marinha colombiana anunciava a inexistência de sobreviventes, Velasco, foi levado à Colômbia, pelas correntes marinhas, e, após dez dias de convivências com tubarões, gaivotas, e fantasma de um dos companheiros que não sobreviveu a fúria do mar, arrastou-se até a terra firme, e pediu ajuda de moradores, que o levaram, em comitiva, a caça de cuidados médicos.

Surpresa, com a sobrevivência de Velasco, a marinha não mudou a versão dos fatos, contudo, o transformou em herói nacional. Enquanto isso, o náufrago, ganhava dinheiro com propaganda das marcas do relógio e do sapato que usava, por terem resistido às intempéries.

Esquecido pelo sistema político que o projetou, Velasco, resolveu procurar o jornal El Espectador, e contar a sua versão da história.
Assim, o jovem jornalista, Gabriel García Márquez, ouve o náufrago e publica em quatorze dias consecutivos a verdadeira história. O fato toma novo rumo, e apesar das tentativas de ingerência dos militares para impedir a divulgação da narrativa tornou-se de interesse do público.

O texto não tem a forma característica de outras obras de Gabriel García Márquez. Os acostumados a ler o autor, percebe, com facilidade, que não se trata de mais uma obra idealizada por um dos gênios da literatura, mas, o “Relato de um náufrago”, chamado Luís Alexandre Velasco. Aliás, o autor cita: "há livros que não são de quem os escreve, mas de quem os sofre, e este é um deles". 

Informações sobre o autor – O escritor colombiano, Gabriel José García Márquez, apelido Gabo, nasceu em 1928 na aldeia de Aracataca, na Colômbia. Cedo abandonou a casa dos pais e trabalhou em diferentes empregos. Fez seus estudos em Barranquilla e chegou a iniciar o curso de direito em Bogotá, época em que publicou seu primeiro conto. Exerceu o jornalismo em Cartagema, Barranquilla e no El Esplendor, de Bogotá. Foi correspondente das Nações Unidas em Nova York. Recebeu Prêmio Nobel de literatura por sua obra que entre muitos outros livros inclui “Cem anos de Solidão”.  

Referência bibliográfica
García Márquez, Gabriel, 1928 -
Retrato de um náufrago / Gabriel García Márquez; tradução Remy Gorga; Ilustrações de Caribé. 35ª ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.
134p.
Tradução de: Relato de un naufrago
ISBN 978-85-01-01120-6
1. Velasco, Luis Alejandro. 2. Sobrevivência (após acidentes aéreos, náufragos etc.). 3. Marinheiros - Colômbia - Biografia. I.Título.

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