domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Príncipe – Nicolau Maquiavel

Maquiavel sonhou unificar a Itália e defendê-la dos povos estrangeiros. Escreveu O Príncipe e dedicou a obra a Lourenço de Medici.
“Espero que não seja considerado presunçoso que um homem de baixa e ínfima condição ouse examinar e regular o governo dos príncipes; pois, assim como os que desenham as paisagens se colocam embaixo, na planície, para observar a natureza dos montes e dos lugares elevados, e, para observar a forma dos lugares baixos, se colocam no alto, em cima dos morros, assim, também, para conhecer a natureza dos príncipes, é preciso ser do povo.”

Sobre o tempo, Maquiavel, tinha uma concepção realista. O via como solução e problema: “Gozar os benefícios do tempo, mas também os benefícios de sua virtù e prudência, porque o tempo arrasta todas as coisas e pode transportar consigo o bem como mal, e o mal como bem.”
Sobre a prudência, Maquiavel, revela sua preferência pela excelência: “Como os homens trilham quase sempre caminhos abertos por outros e pautam suas ações pelas imitações, embora não possa seguir em tudo os caminhos dos outros nem igualar a vritù daqueles que imita, um homem prudente deve sempre seguir os caminhos abertos pelos grandes homens e espelhar-se nos que foram excelentes.”
Para Maquiavel, a oportunidade só pode ser aproveitada se houver capacidade e esta só será utilizada com chance: “Sem ocasião a virtù de seu ânimo se teria perdido, assim como, sem virtú, a ocasião teria vindo em vão.”
Maquiavel via o processo de mudança como um dos mais difíceis, não só pela dúvida do resultado, mas, também, pela oposição dos que se beneficiam da situação atual e da fragilidade do apoio dos defensores do processo. Chegou a defender que o sucesso das mudanças está baseado na força em vez do convencimento. Entendia que a natureza dos povos é variável, e se é fácil convencê-los, é difícil mantê-los na convicção: “Devemos convir que não há coisa mais difícil de se fazer, mais duvidosa de se alcançar, ou mais perigosa de se manejar do que ser o introdutor de uma nova ordem, porque quem o é tem por inimigos todos aqueles que se beneficiam com a antiga ordem, e como tímidos defensores todos aqueles a quem as novas instituições beneficiariam.”
Sobre o mal e o bem, Maquiavel, tinha como concepção minimizar os efeitos do primeiro e prolongar os do segundo. Entendia que os homens se vinculam aos seus benfeitores quando recebem o bem e esperavam o mal: “As injúrias devem ser feitas conjuntamente a fim de que, sendo menos saboreadas, ofendam menos, enquanto os benefícios devem ser feitos pouco a pouco, para serem mais bem apreciados.”
Sobre a crueldade e a piedade, Maquiavel, revela sua percepção a respeito dos efeitos das ações tidas como severas. Tinha o conceito de que os homens são ingratos, volúveis, simulados e fiéis enquanto usufruem o bem, mas quando deles se precisa, revoltam-se: “Eventualmente a crueldade poderá servir para manter os súditos unidos e obedientes, sendo mais piedoso do que deixar evoluir a desordem com excesso de piedade.”
A posição de Maquiavel sobre a amizade revela uma postura transparente naquilo que é mais apropriado e que melhor se adéqua, enquanto os inimigos pedem passividade: “Os que não são teus amigos sempre te pedirão neutralidade, enquanto teus amigos te pedirão para tomar armas.”
A escolha dos colaboradores, para Maquiavel, mostra a inteligência de quem os seleciona. Vejamos: “A primeira conjetura que se faz a respeito da inteligência de um senhor baseia-se na observação dos homens tem em torno de si. Se estes forem competentes e fiéis, o príncipe sempre poderá ser reputado sábio porque soube reconhecê-los como competentes e mantê-los fiéis.”
Maquiavel reservou tratamento especial e cuidadoso para os aduladores. A escolha deve partir da autoridade. Os pareceres e sugestões devem ser solicitados, jamais de forma espontânea. Neste tema, o autor se excluído do adjetivo, já que a obra foi escrita e dedicada a um príncipe sem que ele o tenha pedido: “Não há outro modo de proteger-se dos aduladores senão fazendo os homens entenderem que não te ofendem ao dizerem a verdade. Se, porém, todos a puderem dizer, te faltarão ao respeito.”
Quando Maquiavel fala sobre a fortuna acaba revelando de forma subjetiva, o conceito que tinha, em 1513, sobre as mulheres: “E melhor ser impetuoso do que prudente, porque a fortuna é mulher, e é necessário, para dominá-la, bater-lhe e contrariá-la.”

O autor acreditava na repetição inevitável dos ciclos, provocado por instabilidades políticas, sociais e econômicas. A realidade era vista de forma absoluta, e a racionalidade não garante moralidade dos meios, tampouco dos fins. O homem é parte da história, apesar de não ter motivos para orgulhar-se dela.
Enfim, Maquiavel, enxergava o mundo como base na realidade dos fatos históricos, e, exalta a capacidade de adaptação aos acontecimentos como forma de permanência no poder, diferente de outros pensadores políticos que desenharam o mundo imaginário, ideal, e maravilhosos.

Informações sobre o autor - Nicolau Maquiavel nasceu em 1469, em Florença, Itália. Foi diplomata, poeta, escritor e historiador, além de músico. Fundador do pensamento e da ciência política moderna. Baseou seus textos na realidade do Estado e do Governo em vez de conjecturar de como estes deveriam ser. O adjetivo “maquiavélico”, originário de críticas às suas opiniões, rotulou suas idéias como sinônimo de esperteza e astúcia, contudo, posteriormente, sua obra passou a ser reconhecida como o início da ciência política realista moderna. Durante o governo de Lourenço de Médici entrou para a política como secretário da Segunda Chancelaria, e, neste cargo, pode observar comportamentos políticos que deram fundamentos aos escritos.  

Referência Bibliográfica
Machiavelli, Nicolò, 1469-1527.
O Príncipe / Nicolau Maquiavel; tradução Maria Júlia Goldwasser; revisão da tradução Zelia de Almeida Cardoso. - 3ª ed. totalmente rev. -São Paulo : Martina Fontes, 2004 - (Coleção obras de Maquavel)
182p.
Título original: II Principe.
Inclui vida e obra de Maquiavel.
ISBN 85-336-1947-2
1. Política I. Título. II. Série

2 comentários:

  1. ótimo livro, tenho uma dúvida quanto a classificação literária de O príncipe, o principe com certeza nao tem o estilo clássico , mas maquiavel pode ou não ser classificado como autor renascentista? a dúvida tambem vale para: Thomas Hobbes e thomas More.
    parabéns pelo blog....
    Junior1

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  2. Foi de muita utilidade o post.

    Parabens.

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