domingo, 31 de outubro de 2010

A Revolução dos Bichos - George Orwell

O livro é uma crítica ferrenha à Revolução Russa e à sociedade européia em especial às castas dominantes inglesas e à imprensa que tangenciava de forma conveniente as críticas ao regime. A forma inusitada encontrada pelo autor para relatar os fatos discordantes das ideologias políticas que vigiam na Europa é  fantástica.
O texto diverte o leitor e permite o aprofundamento para o entendimento do comportamento social humano. 
George Orwell faz uma analogia entre lideres da Revolução Russa e o comportamento dos porcos da Granja dos Bichos. Major, um porco que tinha percepção dos motivos que o mantinha vivo, conscientizou os demais animais da Granja Solar para a necessidade de um rebelião e implantarem uma revolução que transformasse a sociedade “animal” cujos valores decorriam do tratamento equânime.
Major morre mas o conceito de poder usufruir o que produz ficou enraizado durante as reuniões que antecederam à Revolução. Alguns animais se dedicaram além do que faziam quando ainda eram subordinados ao antigo dono da Granja Solar, enquanto outros apesar de participarem do movimento não tiveram a mesma consciência e disposição.
Os animais Napoleão e Bola de Neve tinham conceitos diferentes. O primeiro achava que deveriam se armar e defender a granja enquanto o segundo defendia estimular reações parecidas em outras granjas, na busca de um mundo socialmente mais justo. Napoleão expulsou Bola de Neve e exerceu o poder com “mãos-de-ferro” e implantou notícias infundadas a respeito do antigo companheiro para justificar a sua decisão.
Com o passar do tempo tanto o processo produtivo como o de consumo da Granja tornou-se muito parecido com o que acontecia anteriormente. Quando se questionava sobre os mandamentos que nortearam a Revolução, Garganta, o “porta-voz” de Napoleão, usava o fato de saber ler e demovia os animais trabalhadores de qualquer reação, dando novas interpretações aos mandamentos.  
Entre os animais, os porcos assumiram privilégios e com o passar do tempo as prerrogativas foram aumentando até usufruírem de conforto e segurança diferente dos demais animais, contrariando, assim, os mandamentos que deveriam ser seguidos por todos. O certo é que os porcos não produziam um só quilo de alimento e demonstravam muito apetite. Quanto aos demais animais trabalhavam e não usufruíam de nenhum conforto.
A decepção acontece quando foi percebido que os líderes se transformam em uma casta dominante parecida com os humanos. Era impossível distinguir quem era homem e quem era porco. Os mandamentos que serviram para doutrinar os animais foram, aos pouco, distorcidos e a sociedade que lutou por ideais revolucionários se viu em situações parecidas com as que antes. Ao final, o autor radicaliza e apresenta os líderes da Revolução dos Bichos caminhando em duas pernas, contrariando um dos sete mandamentos da Revolução: “Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.”

O livro foi escrito em 1943 e a história chama a atenção da sociedade para as distorções dos regimes políticos, especialmente os totalitários, e foi criada quando o autor percebeu uma criança de dez anos comandando um imponente cavalo. Cada vez que o animal tentava se desviar do caminho o garoto o chicoteava. Ao perceber aquela situação imaginou se o animal tomasse consciência da sua força física não teriam o mesmo poder sobre ele, deixando-se explorar pelo garoto a exemplo da opressão exercida pelas classes mais favorecidas em relação aos proletariados. Trata-se de uma análise da teoria de Karl Marx de forma independente, criativa e inusitada. É um texto que apesar de ter sido escrito há mais de cinquenta anos se mostra atual.

Informações sobre o autor George Orwell nasceu em Motihari na Índia, no ano de 1903. Completou seus estudos na Universidade de Eton. Aos 19 anos entra para a Polícia Imperial Britânica. Passou muitos anos entre a Índia e a Birmânia. Revolta-se com o imperialismo inglês. Considera seu passado vergonhoso, e por isso muda seu nome. Seu nome verdadeiro é Eric Arthur Blair. Trabalha como operário de fábrica em Paris e depois como professor primário em Londres. Assim, sente pela primeira vez a opressão da classe trabalhadora. Neste contexto ele começa a escrever. Participa da Guerra Civil Espanhola em 1936, lutando ao lado do P.O.U.M. (Partido Obrero de Unificación Marxista). George Orwell era a favor das classes sociais baixas e se decepcionou com os Partidos Comunistas da época, fiéis aos ditames de Moscou. Era um anti-stalinista, não pelo socialismo, mas contra todo o tipo de totalitarismo. Escreveu "Na pior em Paris e Londres", "A flor da Inglaterra", "Dias na Birmânia", "O caminho para Wigan Pier", 1984, A Revolução dos Bichos, entre outros títulos. ()

Referência bibliográfica
Orwell, George, 1903 - 1950
A revolução dos bichos: um conto de fadas / George Orwell; tradução Heitor Aquino Ferreira; posfácio Christopher Hitchens. – São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
147p.
Título original: Animal farm : afairy story
INBN 978-85-359-0955-5
1. Ficção inglesa. I. Hitchens, Christipher - II. Título.

sábado, 16 de outubro de 2010

O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Márquez

A história dos pais do autor foi transformada em romance. O cenário da cidade de Cartagena de lás Índias foi o escolhido para enriquecer a narrativa que retrata o sentimento de insatisfação diante do fracasso amoroso, os valores sociais, os efeitos do cólera, a devastação da natureza, a dificuldade no relacionamento conjugal e a rejeição ao processo de envelhecimento.

Florentino Azira, filho de uma aliança ocasional entre Trânsito Azira e Pio Quinto, aos dezoito anos, encanta-se por Fermina Daza filha de um inescrupuloso comerciante que tinha planos de casar a filha com uma pessoa de importância social.
Apesar das ações do viúvo Lourenzo Daza, pai de Fermina, para promover a eparação dos amantes, os sentimentos se eternizaram e foram registrados nas inúmeras cartas de amor escritas por Florentino Azira.   Fermina Daza casa-se com o médico Juvenal Urbino, por mero capricho, ao perceber o interesse da prima Hidelbranda pelo médico, experimenta uma vida fingida e desprovida de prazer. Enquanto Fermina se dedicava aos compromissos sociais, Florentino Azira navegava por muitos relacionamentos amorosos sem se dar o direito de entregar-se a outras paixões. Adquiriu o hábito de cadastrar as características das mais de seiscentas mulheres com as quais se deitou. Envelhece, carcomido, na esperança de só morrer após Juvenal Urbino e um dia reencontrar Fermina.

O conto traz afirmações sobre o amor, sobre o casamento e a velhice, dignas de registro:
“Só me dói morrer se não for de amor.”
 “(...) tinha vivido junto o suficiente para perceber que o amor era o amor em qualquer tempo e em qualquer parte, mas tanto mais denso fica quando mais perto da morte.”
 “O problema do casamento é que se acaba todas as noites depois de fazer amor, e é preciso tornar reconstruí-lo todas as manhãs antes do café.”
 “Um homem sabe quando começa a envelhecer porque começa a parecer com o pai.”
 “Os velhos, entre velhos, são menos velhos.”

Esta é uma história singular que ultrapassa o imaginário da perseverança. Vence as barreiras, refaz os conceitos, retrata o contexto poético a ponto de não nos parecer verdadeira. É uma narrativa espetacular, rica em detalhes de época e sentimentos humanos, bondosamente oferecidos ao deleite do leitor, que só um autor da linhagem de Gabriel García Márquez poderia escrever. A espera do reencontro durou cinqüenta e três anos, quatro meses e onze dias.

Informações sobre o autor – O escritor colombiano, Gabriel José García Márquez, apelido Gabo, nasceu em 1928 na aldeia de Aracataca, na Colômbia. Cedo abandonou a casa dos pais e trabalhou em diferentes empregos. Fez seus estudos em Barranquilla e chegou a iniciar o curso de direito em Bogotá, época em que publicou seu primeiro conto. Exerceu o jornalismo em Cartagema, Barranquilla e no El Esplendor, de Bogotá. Foi correspondente das Nações Unidas em Nova York. Recebeu Prêmio Nobel de literatura por sua obra que entre muitos outros livros inclui “Cem anos de Solidão”.

Referência bibliográfica
García Márquez, Gabriel, 1928 -
O amor no tempo do cólera / Gabriel García Márquez; tradução Antônio Callado. 35ª ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.
429p.
Tradução de: El amoren los tiempos del cólera
INBN 978-85-01-02872-3
1. Romance colombiano. I. Callado, Antônio, 1917 - 1997. II. Título.

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