quinta-feira, 30 de abril de 2009

Um Lugar para Todos - Thrity N. Umrigar

A vida dos moradores do edifício Wadia, construído há 120 anos em Bombaim, na Índia, serviu para o desenvolvimento da história. Um casamento reuniu antigos moradores e criou oportunidades para lembranças de fatos e experiências, motivadas por intervenções familiares e políticas.
Projetos pessoais, a exemplo do que aconteceu com a jovem Dosamai, cujo casamento foi imposto pelo pai, e a separação do indiano Soli da namorada judia Mariam, são alguns dos relatos mais instigantes do texto.

Observam-se algumas citações políticas sobre a independência da Índia e percebem-se contradições de famílias, que apesar de concordarem com o movimento político liderado por Gandhi, enviam seus filhos para a Inglaterra e para os Estados Unidos na busca de outras culturas. Muitos dos que se vão com este objetivo, resolvem permanecer naqueles países, devido às oportunidades oferecidas.

Enquanto os moradores do edifício reclamavam do açougueiro, do leiteiro, e dos valores exorbitantes do queijo e da manteiga, os de rua que habitavam o entorno sofriam da falta de políticas sociais. Este fato, na medida em que os moradores do Wadia melhoravam de condições econômicas eram obrigados a se privar do acesso a bens para não serem agredidos. A discrepância social era tão grande que os ricos não podiam ostentar suas riquezas.

Conviver no Wadia era cômico, e ao mesmo tempo excêntrico.
O texto apresenta melodrama de relacionamento entre pessoas da mesma família por dividirem a mesma casa; problemas psicológicos provocados em jovens por terem sido jogados em relações sexuais sem a devida preparação; paixões interrompidas abruptamente por questões religiosas; e até hábitos e costumes socialmente inaceitáveis em sociedades modernas, a exemplo de famílias colocarem seus mortos para serem comidos pelos abutres.
A autora aborda vários temas e não consegue aprofundar-se em nenhum deles. O leitor, por sua vez, termina insatisfeito com o que leu.

Informações sobre o autor – Thrity N. Umrigar é jornalista, e leciona na Case Western Reserve University. Escreveu “A distância entre nós” e “A doçura do mundo”. Ganhou o prêmio Neiman Fellowship da Harvard Universsity. Cresceu na cidade de Bombaim, na Índia, e mora em Cleveland, Ohio.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Memórias de Minhas Putas Tristes - Gabriel Garcia Márquez

Um homem que nunca fizera sexo sem pagar, resolveu se presentear em seu aniversário de noventa anos, e passar uma noite de amor com uma mulher virgem.
Queria uma mulher que exalasse pureza, diferente das muitas promíscuas que passaram por sua vida.
Juntou parte de suas economias recebidas da aposentadoria e da remuneração como jornalista de um periódico, e partiu em busca do seu objetivo.

Com a colaboração da antiga amiga Rosa Cabarcas proprietária de um prostíbulo, conseguiu contatar uma jovem de quatorze anos que terminou despertando a paixão do idoso, ao ponto de influenciar os textos de suas crônicas divulgadas no jornal aos domingos.

Apesar de o tema margear a pedofilia, o texto é escrito de forma arguciosa, e o leitor, sem perceber, é levado a desviar a atenção para outro ponto: a carência afetiva do indivíduo de noventa anos. Assim, a história se desdobra chamando a atenção para o amor e admiração entre os parceiros.

Garcia Márquez coloca em discussão a possibilidade de pessoas viverem noventa anos sem nunca terem experimentado relações amorosas desprovidas de preconceitos e barreiras.
No caso específico, o idoso jornalista que sempre pagava pela companhia de mulheres para não se comprometer, terminou experimentando sentimentos próprios de jovens apaixonadas, ao ponto de transbordá-los nas crônicas semanais no jornal El Diário de La Paz.
O envolvimento amoroso com a jovem garantiu ao jornalista deixar de ser um colunista medíocre para se tornar um escritor da primeira página, tal era a emoção imposta nos textos, percebida pelos leitores, que aguardavam, com ansiedade, as edições dominicais.

Com a jovem Delgadina, o jornalista não mantinha relações sexuais. Bastava contemplá-la ao vê-la dormir em um dos quartos do bordel da cafetina Rosa.
Após a ocorrência de um assassinato no bordel os dois amantes foram separados, e o desencontro provocou no idoso, sentimentos doentios de adolescentes, intensificados pela distância entre eles.
Durante meses o velho cronista pôde sentir a intensidade da vida e se permitiu aguardar a morte, satisfeito por ter conseguido amar alguém.

A história apresenta um colorido psicológico, contrapondo valores morais, e faz lembrar a complexidade do que é envelhecer.

Informações sobre o autor – O escritor colombiano, Gabriel José García Márquez, apelido Gabo, nasceu em 1928 na aldeia de Aracataca, na Colômbia. Cedo abandonou a casa dos pais e trabalhou em diferentes empregos. Fez seus estudos em Barranquilla e chegou a iniciar o curso de direito em Bogotá, época em que publicou seu primeiro conto. Exerceu o jornalismo em Cartagema, Barranquilla e no El Esplendor, de Bogotá. Foi correspondente das Nações Unidas em Nova York. Recebeu Prêmio Nobel de literatura por sua obra que entre muitos outros livros inclui “Cem anos de Solidão”. 
Referência bibliográfica
García Márquez, Gabriel, 1928 -
Memória de minhas putas tristes / Gabriel García Márquez; tradução Eric Nepomuceno. 8ª ed. - Rio de Janeiro: Record, 2005.
127p.
ISBN 85-01-07265-6
Tradução de: Memoria de mis putas tristes
1. Romance colombiano. I.Nepomuceno, Eric, 1948. II.Título.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Água para elefantes - Sara Gruen

Jacob Jankowski com mais de 90 anos é o protagonista da história.
Hospede em uma casa de repouso conjectura: A idade é um ladrão terrível. Justamente quando se começa a entender melhor a vida, a idade nocauteia suas pernas e arqueia suas costas. Ela traz dores, lhe confunde a cabeça...”
 

Estudante do último ano de veterinária na universidade de Cornell nos Estados Unidos perde os pais em um acidente, sob os efeitos da crise de 1929. Sem alternativa para manter-se na cidade de Ithaca, pula sobre um trem em movimento e inicia uma aventura sobre o que ele chamou de “grande fera de aço”.

O texto intercala vivências na casa de repouso e lembranças de sua paixão por Marlena, estela do Circo Irmãos Benzini, mulher do esquizofrênico e malvado treinador de animais, August.
As perversidades impostas aos animais e a paixão por Marlena fizeram Jacob opor-se a August e ultrapassar o limite da coerência após a chegada da elefanta Rosie no circo.

O livro relata, superficialmente, a experiência de um idoso que perde a mulher vítima de câncer, detalha o escabroso tratamento dado aos animais de circo e entremeia atitudes amorosas não convencionais que, por sorte, favorecem a relação.
O texto é desprovido de encrencas filosóficas, possui uma linguagem direta e permite interessantes reflexões.

Informações sobre o autor - Sara Gruen é canadense, vive em Illionois nos Estados Unidos com a família, rodeada por animais. Escreveu outros livros ainda não editados no Brasil.

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