terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Zadig – François-Marie Arouet (Voltaire)

A forma inusitada, escolhida por Voltaire, para questionar situações que possam ser encaradas como ações do destino deixa a leitura leve e hilária. Praticamente, na maioria dos capítulos a mensagem simbólica aparece na forma prosaica, parecida com contos que ouvimos dos mais velhos, sentados em cadeiras de balanço em varandas de casas de campo. Quando o leitor se permite aprofundar no texto surgem às surpresas: Voltaire relata as conseqüências negativas das boas ações praticadas pelo sábio Zadig, e coloca em dúvida se a falta de retorno adequado ocorria por envolvimento com mulheres ou culpa do próprio destino.

Os ensinamentos do texto remetem a avaliação de muitas de nossas ações. Mesmo quando boas, podem, também, ser motivos para questionamentos. Dependerá dos interesses dos julgadores. Na situação inversa, quando incorporamos a ação de julgar, muitos dos nossos sentimentos e emoções estão contidos na avaliação e interferem no resultado do ato.

Com maestria, Voltaire, transcorre de forma sutil e engraçada por zonas filosóficas e crenças religiosas. Ao fim, o leitor, satisfeito, questiona-se sobre a coerência dos julgamentos e de crenças, e deseja que o protagonista Zadig dê certo, mas, o “destino” lhe prega muitas surpresas...

Informações sobre o autor - François-Marie Arouet (Voltaire) nasceu na França em 1694 e ficou conhecido pelo pseudônimo de Voltaire. Filósofo iluminista é conhecido pela acuidade na defesa das liberdades civis e religiosas. Escreveu nas mais várias formas literárias. Sua obra influenciou importantes decisões políticas a exemplo da Revolução Francesa. ()

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