quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Cidade das Feras - Isabel Allende

O filho de um médico e de uma dona de casa, com câncer, precisou se separar da família, aos quinze anos, devido à necessidade de tratamento da mãe. Foi encaminhado para Nova York ao encontro da avó paterna Kate Cold. Lá chegando, com pouco dinheiro no bolso e sem saber se locomover na cidade, foi surpreendido com a ausência da avó no aeroporto e teve de se submeter aos préstimos de uma garota que tinha o intento de roubá-lo.
Alexander Cold, sem dinheiro, teve que se revolver pedindo informações até chegar à casa da avó.
A recepção não foi das melhores. A escritora, aventureira, que presta serviços para a Internathional Geographic não fez gracinhas para o neto. Assim que o recepcionou em seu exótico apartamento o preveniu sobre as aventuras que os esperavam: viajariam para a Floresta Amazônica em uma expedição que tinha o objetivo registrar a existência de uma fera que estava aterrorizando aos que visitavam a região.

Na Amazônia, o protagonista conhece Nadia, filha do guia local, que se torna sua companheira na aventura.
Os ensinamentos em relação aos enigmas da natureza amazônica foram absorvidos por Alex durante a convivência com Nadia e ao perceber a diferença entre as suas experiências e convicção aderiu aos conceitos naturalistas e tornou-se defensor de uma tribo indígena conhecida como Povo da Neblina.
A tribo acreditava que a sua permanência e preservação dependia da existência da fera, portanto, procurava manter distantes os interessados nas riquezas da região, conhecida como Olho do Mundo, numa demonstração de interatividade da natureza.
A expedição tornou-se uma aventura digna de emoção, desconfiança e surpresas.
Há momentos que os participantes, com objetivos divergentes, não conseguem identificar, entre si, os aliados, devido às atitudes suspeitas. O que parecia lógico tornou-se surpreendente e os desaparecimentos de Nadia e Alex, seqüestrados pelo Povo da Neblina deixou, ainda mais, sem rumo os membros da expedição.

A aventura é contada em linguagem acessível, mesclada com simbologia e crenças religiosas comuns na Floresta Amazônica, rodeada de visões e aparições de Xamã além de incorporações de “personalidade” animalesca. Alex o protagonista da história foi respeitado como um jaguar e Nadia se sentiu a rainha do céu;  disse: “Ela era Águia, a ave de vôo mais alto, a rainha do céu, aquela que faz seu ninho onde só os anjos conseguem chegar”.

O livro mostra a que ponto a ambição leva o homem na conquista dos objetivos econômicos e políticos, o envolvimento de estruturas e autoridades nos processos e chama a atenção para o desconhecimento em relação às etnias, cuja percepção só ocorre com a aproximação e convivência.

Informações sobre a autora - Isabel Allende tem nacionalidade chilena, é filha de diplomata e sobrinha do presidente chileno Salvador Allende. Após o golpe militar no Chile e a morte de Salvador Allende, em 1973, o clima de terror obrigou-a a abandonar o país e refugiar-se na Venezuela. Em Caracas, trabalhou como repórter e professora de idiomas. Escreveu histórias infantis, além de peças teatrais. Depois de se divorciar do primeiro marido, Miguel Frías, Isabel Allende mudou-se para a Califórnia (EUA), onde, em 1988, se casou com o americano Willie Gordon. Escreveu "A Casa dos Espíritos" (1982), "De amor e de sombra" (1984), "Eva Luna" (1985), "Histórias de Eva Luna" (1989), "Paula" (1991), "Plano infinito" (1993), "Afrodite" (1994) e "Filhas da fortuna" (1999).

Referência bibliográfica
Allende, Isabel, 1942
A cidade das feras / Isabel Allende; tradução de Mario Pontes: - 4ª Ed. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.
280p.
Tradução de: La ciudad de las bestias
ISBN 85-286-0977-4
Romance chileno. I. Pontes, Mario, 1932-.II. Título

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Matusalém: Veredas do Destino – Itaberaba Sulz Lyra

O livro conta a história de um imigrante romeno que inicia uma caminhada pelo Brasil à procura de uma jovem.
Hospedou-se em um hotel, de segunda categoria, sob gestão da polonesa Kristina que tinha envolvimento com o policial Antenógenes Lima, conhecido como “Boca de Ouro”, em troca da garantia de segurança do negócio.
Kristina interessou-se pelo romeno e começou a tratá-lo diferente dos demais hóspedes.
Certo dia, por falar francês, foi convidado a se encontrar, em um bar, com um marinheiro francês. Daí em diante a aventura assume uma forma policial. “Boca de Ouro” foi agredido pelo marinheiro francês, Jean Marcel, e no tumulto outros personagens que não eram do agrado do policial, passaram, também, a ser suspeitos do crime, inclusive o imigrante romeno.
Para não ser preso o romeno fugiu juntamente com o marinheiro, causando surpresa a Kristina que se encontrava gestante do imigrante. 
Trabalharam em um curtume e ao receber uma proposta de promoção, que condicionava a mudança de domicílio, resolveu largar tudo para não ser reconhecido já que tinha mudado a sua identidade de Ivã Antonesco Utov para Matusalém.
Ao abandonar o emprego e seguir viagem no lombo de um animal, deparou-se com um olheiro do bando de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. Foi levado ao encontro do mesmo, caiu no agrado do cangaceiro que o presenteou com um punhal de sua coleção e o autorizou seguir a viagem em busca de novas fronteiras. Encontra Madailene, a mulher que motivou a aventura, e se depara com uma grande surpresa.

O livro é recheado de opiniões políticas e sociais. A história da aventura do apaixonado Ivã que migrou para o Brasil atrás da sua amada é cativante. O leitor percebe as sutilezas que envolvem as questões de uma sociedade pluralista que, em muitas oportunidades, procura esconder sua origem.
A linguagem é clara e a forma direta e objetiva. 
 
Informações sobre o autor – Itaberaba Sulz Lyra nasceu na cidade de Nova Viçosa, Bahia, se formou em administração de empresas pela Universidade Federal da Bahia. Trabalhou no sistema financeiro e exerceu o mandato de vereador na cidade de Salvador, além de outros cargos públicos.

Referência bibliográfica
Lyra, Itaberaba Sulz.
Matusalém: veredas do destino / Itaberaba Sulz Lyra. – Salvador: Helvécia, 2001.
240p. ; 21 cm
ISBN 85-87826-06-9

1.Literatura brasileira. I. Título.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Estrangeiro – Albert Camus

Albert Camus desenvolve uma história simples, escrita em frases curtas, que objetiva evidenciar conceitos segundo o qual o homem é livre e seus atos são responsáveis por seu destino.
A frieza e a ausência de emoção do protagonista Meursault, levadas pelo comportamento racional, põe em questão atitudes que o ser humano se dá como responsável por seus atos.

O texto encaminha o leitor para a análise do personagem em vez da trama. O que está em questão são as emoções ou a falta delas vividas pelo personagem disposto a decidir o caminho da vida e satisfeito com o resultado lógico do seu futuro.
A lógica é tamanha que em determinados momentos o leitor tende a desejar que o fim da trama seja outro, imaginando falta de percepção do protagonista em relação aos riscos que corre, contudo, este não é o objetivo do autor. Descobre, por fim, que tudo que foi praticado não passa de uma opção racional pela falta de interesse da existência de outras pessoas e da precariedade da morte de forma definida como inevitável.

No banco dos réus Meursault volta a surpreender. Não demonstra arrependimento dos atos praticados, se sente libertado e aceita a morte como processo natural da vida independente da forma.
A racionalidade chega ao ponto do protagonista concluir que deve colaborar para que a guilhotina não falhe, para não se ter que recomeçar o processo. 

Informações sobre o autor - Albert Camus, foi escritor e filósofo, nasceu na Argélia e viveu sob o signo da guerra, da fome e da miséria. Morreu em acidente de carro em 1960. Juntamente com Jean-Paul Sartre foi um dos principais representantes do existencialismo francês. Camus afirma que as pessoas procuram incessantemente o sentido da existência numa vida que carece de sentido e na qual só é possível ganhar a liberdade e a felicidade com a rebelião. Escreveu O Mito de Sísifo (1942), O Estrangeiro (1942), A Peste (1947), O Estado de Sítio (1948), Os Justos (1949). Foi-lhe atribuído o Prêmio Nobel da Literatura em 1957.

Referência bibliográfica
Camus, Albert, 1913-1960
O estrangeiro / Albert Camus;tradução de Valerie Rumjanek.- 30ª Ed. – Rio de Janeiro: Record, 2009.
126p.
Tradução de: L´étranger
ISBN 987-85-01-01486-3
Romance francês. I. Rumjanek,Valerie.II.Título

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