segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Reparação – Ian McEwan


Cecilia Tallis, filha de uma família inglesa, cresceu em companhia do filho da faxineira e, sem perceber claramente, termina se envolvendo emocionalmente. Sua irmã, adolescente, Briony Talles, tinha a pretensão de se tornar escritora, presenciou dois fatos que culminaram no desenrolar de uma história falsa, abrangente e capaz de prejudicar as relações familiares.
Além do preconceito social que abarca a narrativa, a distorção dos fatos refletiu sobre o destino das famílias e teve como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial, que proporcionou o nivelamento dos protagonistas e os colocou em situações de equivalência.
O afastamento familiar e a contingência política, provocado não só pela situação de conflito, mas, também pela necessidade da individualização e conduta no anseio de uma reparação, tardou acontecer e ajudou a desenvolver a grandiosidade da história.
Cecilia não abriu mão do injustiçado Robbie Tuner, filho da faxineira. Abandona a família e vai ao seu encontro. Briony, por sua vez, resolve assumir o seu erro e surpreende o leitor ao revelar o nome do verdadeiro culpado do estupro da sua prima Lola.

O texto apresenta uma qualidade estonteante, com linguagem simples e envolvente, conduz o leitor a uma história rica em conflitos com alta dose de questionamentos comportamentais que remetem ao servilismo social, capaz de distorcer fatos com versões que podem aniquilar o prazer de viver.

Informações sobre o autor –  Ian McEwan nasceu em 1948, em Aldershot, Inglaterra. Publicou duas coletâneas de contos e uma dezena de romances, entre eles A criança no tempo, O jardim de cimento, Amor para sempre, O inocente, Sábado, Na praia e Amsterdam. Conquistou, entre outros prêmios, o Whitbread Award, 1987, e o Booker Prize, em 1998.

Referência bibliográfica
McEwan, Ian
Reparação / Ian McEwan; tradução Paulo Henrique Brito. - São Paulo. Companhia das Letras, 2002.
444p.
Título original: Atonement.
INBN 978-85-359-0235-8
1. Romance inglês - I. Título.


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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra - Mia Couto

O jovem Mariano, protagonista da história, foi requisitado para coordenar os procedimentos, comuns às famílias moçambicanas, da morte do velho Dito Mariano. Chegando à ilha Luar-do-Chão, tomou conhecimento, de forma inusitada, dos muitos fatos ocorridos na sua ausência e outros que ajudaram a elucidar questões a respeito da sua origem.

A história, aparentemente folclórica, envereda por crenças e valores regionais que precisam ser satisfeitos para alcançar os objetivos traçados pelo personagem central, o velho Dito Mariano.
Ciente da proximidade de sua morte, Dito Mariano, se faz de morto e orienta o jovem através de escritos que lhes são apresentados nas mais variadas situações.
Os procedimentos a serem cumpridos e as revelações de fatos da sua história envolve o protagonista, do início ao fim do texto.
Além dos rituais exigidos, o jovem foi obrigado a assumir importantes tarefas para salvaguardar a cultura local e as tradições familiares, que entravam em contradição com políticas progressistas.

As observações sobre a natureza se revelam a cada momento com ditos populares, próprios de um povo simples, porém, posseira de sabedoria: “O rio é como o tempo! Nunca houve princípio, concluía. O primeiro dia surgiu quando o tempo já há muito se havia estreado. Do mesmo modo, é mentira haver fonte do rio. A nascente é já o vigente rio, a água em flagrante exercício. O rio é como uma cobra que tem a boca na chuva e a calda no mar.” Com este linguajar o autor constrói a história de um povo e nela se inclui.

O texto é leve e curioso. O leitor que se deixar envolver na fala da ilha Luar-do-Chão, certamente, terá oportunidade de experimentar uma cultura enraizada em fundamentos onde a natureza é a essência da própria existência: “Desde o funeral que não pára de chover. Nos campos, a água é tanta que os charcos se cogumelam, aos milhares. Poeiras brancas ondulam à tona de água. Parece que a terra vomita esses pós brancos que, por descálculo, Juca Sabão teve a fatal ideia de semear. Quem disse que a terra engole sem nunca cuspir?”.

O livro aborda a história de uma família e suas crenças. Revela a natureza, na forma rudimentar. Retrata a política e seus conflitos, tangenciando a história, com foco nas possíveis consequências sociais.

Informações sobre o autor –  Mia Couto nasceu na Beira, em Moçambique, em 1955. Estudou medicina antes de se formar em biologia. Atualmente dedica-se a estudos de impacto ambiental. Em 1999, recebeu o prêmio Vergílio Ferreira pelo conjunto de sua obra; em 2007, o prêmio União Latina de Literaturas Românticas. Seu romance Terra Sonâmbula foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX. O escritor publicou, entre outros: O outro pé da sereia; A varanda do frangipani; Venenos de Deus, remédio do diabo; O fio das missangas.

Referência bibliográfica
Couto, Mia – 1955
Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra/ Mia Couto - São Paulo. Companhia das Letras, 2003.
262p.
INBN 978-85-359-0343-0
1. Romance moçambicano (Português) - I. Título.


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