sábado, 13 de dezembro de 2008

O Ano de 1993 - José Saramago

A forma da escrita, difícil de ser classificada, confunde-se com uma poesia psicodélica futurista e a prosa desestruturada. A curiosidade foi aguçada e terminei por concluir a leitura na própria livraria.
As citações de Saramago escritas em 1975, referindo-se ao que poderia ocorrer no Ano de 1993, tangenciam o entendimento da realidade, e ao mesmo tempo a contestação da filosofia religiosa e política.

É bom lembrar que no ano anterior ao que o livro foi escrito ocorreu a “Revolução dos Cravos” responsável por derrubar a ditadura Salazar inspirada no fascismo. Certamente, este fato deve ter inspirado o escritor imaginar o que aconteceria após o conhecido dia “D”.

De tudo tem um pouco: comparação de ambiente a obra do pintor surrealista Salvador Dali; referências comparativas a citações bíblicas; alusões a animais movidos por energia desconhecida; habitantes pichados com números, a exemplo dos prisioneiros em campos de concentração.

Não há compromisso com estilos ou propostas, o que existe são coisas soltas, algumas coerentes outras desconexas, que deixa o leitor desavisado com o sentimento da carência cultural e filosófica. São provocações sem estilo objetivo e direto, contudo induz a reflexões rápidas, desencontradas e inconclusas, para um desafio cibernético de um mundo desconhecido para o seu tempo.

O exemplo da citação Não é difícil chegar basta olhar o chão e seguir sempre pelos caminhos mais pisados (...), e o processo político previsto por Saramago para o Ano de 1993, que não promove justiça, mas o extermínio da população independente da importância social e inverte o poder com o passar do tempo, podem parecer extravagantes ou simplórias. Depende da ambição do pensamento.

Fiquei com a impressão que Saramago aproveitou a oportunidade dos movimentos políticos ocorridos em Portugal, à época, para estimular uma reflexão sobre o futuro incerto.

Informações sobre o autor - José Saramago nasceu em 1922 em Portugal. Filho de agricultores, foi serralheiro, desenhista, funcionário público, tradutor e jornalista. Tornou-se conhecido internacionalmente com o romance Memorial do Convento. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1998. Vive entre Lisboa e a aldeia de Lanzarote, nas Canárias.

2 comentários:

  1. Parabéns, Eduardo, pelo comentário a "O ano de 1993", obra fabular, sem querer por rótulos, do escritor português. Acho que você ficou com a mesma impressão minha então quando falado que ficou "com a impressão de que Saramago aproveitou a oportunidade dos movimentos políticos ocorridos em Portugal, à época, para estimular uma reflexão sobre o futuro incerto". Estendo essa sua impressão a passos ainda mais largos; passando pouco longe do pensamento do crítico T S ELiot, mas usando ainda dele, Saramago esteve não apenas com os movimentos políticos de Portugal, mas de toda uma época: a época de sombras que varreu todos os países. As ditaduras e outras formas de violência do homem para com o próprio homem - é isso que me parece ser a mola propulsora para "O ano".

    Meu abraço

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  2. Caro Pedro,
    Grato pelos comentários.
    Um abraço

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