sábado, 21 de novembro de 2009

A Felicidade Conjugal - Leon Tolstói


A história é narrada pela jovem María Aleksândrovna, que perder os pais e passa a ser cuidada por Kátia, sua devota criada.
Serguêi Mikháilich, amigo da família, tornou-se provedor de María. Passou a frequentar a casa e despertou o interesse da jovem, apesar da diferença de idade entre eles. Serguêi sentia-se inibido em confessar a sua pretensão, mas, com o passar do tempo, a jovem facilita a decisão e, ele, a propõe o casamento.
Decidiram morar, nos primeiros meses de casados, na mansão de Tatiana Semiônovna, mãe de Serguêi. A felicidade era plena até María perceber que o estilo formal da família a sufocava e impossibilitava de demonstrar, com espontaneidade, o amor que sentia pelo marido.
Serguêi, ao perceber sinais do descontentamento da mulher, propôs a mudança para a cidade e a advertiu sobre a inconveniência de aproximação da sociedade local, contudo, María, por ser jovem e atraente, foi envolvida em festas e eventos, nos quais despertava a atenção de pessoas importantes da sociedade.
O fato incomodava Serguêi, apesar de se manter discreto. Entendia que não deveria exigir que a sua jovem esposa deixasse de experimentar o que ele próprio não valorava.
O nascimento do filho não inibiu o interesse de María pelas festas e a falta de interesse, pelo filho, era motivo de observações silenciosas de Serguêi.
Atraída por um marquês italiano, durante uma temporada de águas, após o nascimento do filho e a morte da sogra, a relação com Serguêi passou a ser fria e rotineira.
A diferença de idade do casal contribuiu para o conflito de objetivos. Enquanto Serguêi necessitava de tranquilidade, María buscava emoção.

Ao ser questionado sobre o relacionamento, Serguêi disse: “(...) será que alguém pode ficar descontente com alguma coisa, se é tão feliz como sou agora? É mais fácil ceder do que tentar dobrar os outros, estou convencido disso há muito tempo. Não existe situação em que não se possa ser feliz.”
O sentimento de Serguêi sobre felicidade foi modificado após o desgaste no relacionamento provocado pelo comportamento da mulher e contestou: “Todos nós, especialmente você mulheres, precisam viver todo o absurdo da vida, para podermos voltar à vida verdadeira.”

O autor mostra a dificuldade do relacionamento conjugal, o processo de tolerância nas relações, a insegurança nos relacionamentos entre pessoas com idades muito diferentes, a superficialidade das sociedades aristocráticas e, principalmente, o desinteresse provocado pelo tempo de relacionamento.

Leon Tolstói aborda o tema com sutileza e maestria, faz o leitor refletir sobre o que fez ou deixou por fazer para a manutenção de relacionamentos e mostra a vulnerabilidade das pessoas nas relacões conjugais.
Quando o leitor espera um final impactante, Tolstói nos remete a um simples e cotidiano ensinamento: “A partir daquele dia, terminou o meu romance com o meu marido. O antigo sentimento tornou-se uma recordação preciosa, mas impossível de renascer.”

O texto é impregnado de sentimento e desejo, feminino, de experimentar o que a vida oferece, enquanto o seu parceiro, pacientemente, observa o desenrolar dos acontecimentos, com o propósito de facilitar o seu aprendizado. Assim, María declara: “Havia em mim excesso de energia que não encontrava escoadouro (...).”

Informações sobre o autor Leon Tolstói é considerado um dos maiores escritores de todos os tempos. Ficou famoso por tornar-se, na velhice, um pacifista, cujos textos e idéias batiam de frente com as igrejas e governos, pregando uma vida simples e em proximidade à natureza. Foi um dos grandes da literatura russa do século XIX. Suas obras mais famosas são Guerra e Paz e Anna Karenina. Morreu aos 82 anos, de pneumonia, durante uma fuga de sua casa, buscando viver uma vida simples. () 

Referência bibliográfica
Tostói, Leon, gráf.. 1828-1910
A felicidade conjugal, seguindo de, O diabo / Leon Tostói; traduçãoe prrefácio de Maria Aparecida Botelho Pereira Soares. - Porto Alegre, RS : L&PM, 2009.
122p. (L&PM Pocket; v.692)
Tradução de: CeMeÑHOe CHaCTbe (Semeynoye schast'ye); e (Dyavol) 
ISBN 978-85-254-1505-9
1. Conto russo. I. Soares, Maria Aparecida Botelho Pereira. II. Título. 

R

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Crônica de uma morte anunciada – Gabriel García Márquez

O extravagante Bayardo San Román decidiu procurar uma mulher para se casar em uma pequena cidade da Colômbia. Ao se deparar com a jovem Ângela Vicário lhe pediu em casamento e ofereceu o conforto da melhor casa da cidade.
Insegura, por não ser virgem, pensou em resistir à proposta, contudo foi persuadida a simular donzelice na noite de núpcias.
No dia do casamento, após as festividades que mobilizou inúmeros convidados, ela resolveu não fazer o que haviam orientado e teve, em troca, o imprevisto de ganhar uma surra do marido, além do dissabor de ser devolvida à família.

Interrogada pelos seus irmãos gêmeos, quem queriam saber quem a havia desvirginado, ela disse que tinha sido Santiago Nasar. Logo, não restou alternativa aos irmãos gêmeos, Pedro e Pablo Vicário, a não ser amolar as facas, que serviam para o abate dos porcos, e sair à caça de Santiago Nasar com o propósito de lavar a honra da família.

Os gêmeos, por onde passavam, anunciaram a todos com quem se encontravam a pretensão do ato criminoso, ao que parece, na esperança de que alguém os impedissem de concretizar o crime. Enquanto se preparavam para o massacre, encheram as panças de cachaça e mantiveram vigília até surgir a oportunidade para sangrar Santiago Nasar.

Apesar de alguns amigos tentarem avisar a Santiago sobre o intento dos irmãos Vicário a vítima não era localizada. A morte anunciada foi tão comentada na comunidade que o fato já era anunciado como concretizado, mesmo antes de acontecer.

O autor tenta desvendar a história com a esperança de confirmar se Santiago Nasar tinha sido o verdadeiro responsável pela desonra ou se a noiva, também vitima de preconceito social, o havia escolhido para esconder o verdadeiro amante.

O livro mantém um clima de suspense e induz o leitor a acreditar na possibilidade de mudar o veredicto sobre Santiago Nasar, por intermédio de ações da comunidade ou da manifestação do verdadeiro amante de Ângela.

Divertido pela forma que a história é contada, o texo submete autoridades políticas e religiosas a situações ridículas. Mostra conceitos e preconceitos arraigados em pequenas comunidades que induzem comportamentos ultrapassados, traiçoeiros e criminosos. Todos eles, de alguma forma, aceitos pelas famílias das vítimas, sejam as que induziram, referendaram, praticaram, ou retalharam Santiago Nasar como se fosse um porco inerte após o abate.

A honra lavada com sangue, perdurou durante as vidas de Bayardo San Román e de Ângela Vicário. O que tinha de bom para acontecer transformou-se em solidão, sofrimento e esperança. 

Informações sobre o autor – O escritor colombiano, Gabriel José García Márquez, apelido Gabo, nasceu em 1928 na aldeia de Aracataca, na Colômbia. Cedo abandonou a casa dos pais e trabalhou em diferentes empregos. Fez seus estudos em Barranquilla e chegou a iniciar o curso de direito em Bogotá, época em que publicou seu primeiro conto. Exerceu o jornalismo em Cartagema, Barranquilla e no El Esplendor, de Bogotá. Foi correspondente das Nações Unidas em Nova York. Recebeu Prêmio Nobel de literatura por sua obra que entre muitos outros livros inclui “Cem anos de Solidão”. () 

Referência bibliográfica
García Márquez, Gabriel, 1928 -
Crônica de uma morte anunciada / Gabriel García Márquez; tradução Remy Gorga, filho; 39ª ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.
157p.
Tradução de: Crónica de uma muerte anunciada
ISBN 978-85-01-01943-1
1. Crônicas colombianas. I. Gorga, Remy. 1933- II . Título.

Ocorreu um erro neste gadget