sábado, 28 de março de 2009

A Profecia Celestina – James Redfield

Há os que passam pela vida sem perceber acontecimentos e fatos sincrônicos e misteriosos que levam o ser humano à direção desconhecida.
Ao refletirmos, sem preconceitos, sobre fatos ocorridos em momentos fundamentais na nossa vida, percebemos que alguns episódios foram sincronizados em determinado espaço de tempo não claramente definido.

Outros eventos não identificamos como importantes, porque, simplesmente, não conseguimos perceber o sincronismo entre eles e acontecimentos que se tornaram fundamentais para trilharmos o caminho do nosso destino.
Neste caso, faltou a acomodação necessária para despertar a percepção de que alguma força atuou sem o nosso conhecimento.

A ilusão de que o universo é explicável e previsível termina sendo cultivada, ao negarmos a possibilidade de avanço nas pesquisas de eventos inexplicáveis, como forma de nos proteger, através do conceito de senhores dos nossos destinos.
Enquanto isso se percebe que as ocorrências da natureza sucedem de causas explicáveis e diretas. Assim, a ciência explica que na matéria sólida existem espaços vazios. Em nós, quantos são os espaços que não estão na solidez do corpo? Eles estão literalmente vazios ou a energia que neles circulam faz parte de um contexto desconhecido?

A universalidade energética, confirmada pela ciência, mostra as interligações dinâmicas dos fenômenos que regem a natureza quântica. Saber acessar esta energia universal e arremessá-la através do pensamento pode terminar favorecendo o nosso destino, e influenciando o caminho e a direção dos outros que nos cercam.

O desconhecimento de como acessar a energia vital ou o rompimento da ligação com ela, enfraquece o ser humano e o torna inseguro e fraco.
Neste caso, o roubo de energia de pessoas que nos cercam, como alternativa para nos reerguer, termina gerando fatos conflitantes, porque ao enfraquecê-los haverá reações de comportamento imprevisíveis.
A luta pelas mais variadas formas de poder termina norteando estes conflitos.

A conexão da consciência interior com a energia espiritual provoca sensações não percebidas no cotidiano, e possibilita vivências em outro estado de consciência - que sustenta a vida - sem necessariamente usurpar energia de outras pessoas, relacionadas na disputa do poder.
Estas sensações podem ser percebidas através da leveza do corpo físico, do aguçamento de sabores, sons, aromas, etc.

A vida poderá ter outro sentido ao aprendermos a identificar questões que nos são colocadas, sem necessariamente precisarmos conhecer todas as respostas.
Quando nos desconectamos com o passado, percebemos o domínio exercido sobre outras pessoas que usamos para nos beneficiar.
Exortar boas relações, em vez de exaurir dos outros a energia, possibilita o descobrimento do caminho para o crescimento.

À medida que evoluímos espiritualmente percebemos mais claramente a nossa missão. Esta percepção ocorre através do entendimento das questões que nos são colocadas ao nos relacionarmos, e nas variadas formas que aguçam a reflexão, a exemplo dos sonhos, dos pensamentos, e porque não dizer alucinações.

Nos relacionamentos sadios, a prática de mensagens otimistas é fundamental para manter a energia em vibrações elevadas. Assim, o todo ganha com a soma sincronizada das oscilações positivas, e a luta pelo domínio ou poder deixa de existir.

Os encontros não são casuais. Eles trazem muitas respostas que precisamos. Combater o medo através de pensamentos positivos eleva a mente e reflete no conforto do corpo.

O livro pode ser visto como uma aventura de um casal de amigos que se encontram em um aeroporto. Lá, resolvem sair em busca de manuscritos que podem colocar em cheque dogmas da igreja. Ou, analisado na forma percebida por este leitor, conforme acima descrito.

Informações sobre o autor – James Redfield nasceu em 19 de março de 1950. Mora nos Estados Unidos, e trabalhou com terapeuta para crianças molestadas sexualmente. O livro Profecia Celestina vendeu mais de vinte milhões de cópias e foi traduzido para mais de trinta línguas.

sábado, 21 de março de 2009

O Processo - Franz Kafka

A crítica metafórica, escrita por Franz Kafka em 1914, traz pitadas proféticas dos excessos burocráticos da justiça e as agruras dos regimes totalitários.
A história de Josef K., funcionário de uma instituição financeira, apresenta momentos de alucinações e se aproxima de uma realidade, cruel, vivida por um jovem acusado - sem saber do que - por uma justiça burocrática, incompreensível, autoritária, perdulária e inacessível.

Ao narrar O Processo, Kafka, aborda a insatisfação feminina devido à forma como as mulheres são tratadas pela sociedade. Esta abordagem surge, também, em outro livro escrito pelo autor, O Castelo. Em O Processo, a mulher do oficial da justiça, cuja casa em que mora serve para a realização de reuniões de interrogatórios, mostra-se insatisfeita e disposta a ir para qualquer lugar com Josef K., protagonista da história.
Josef K., em visita à casa do oficial da justiça, flagrou o estudante de direito Berthold, aguardando a mulher do citado funcionário para levá-la até o juiz de instrução com o objetivo de manter relacionamentos amorosos.
A enfermeira Leni, outra mulher da história, cuida do advogado responsável pela defesa do processo de Josef K., se oferece a ele. Sentou-se em seu colo, no primeiro dia que o conheceu e mostra-se disposta a ajudá-lo.
O leitor fica sem saber se as atitudes femininas relatadas por Kafka, em seus livros, tiveram a intenção de refletir a realidade à época ou se os textos afloram uma percepção, equivocada, da sua auto-estima.

Em momentos de delírios, Josef K., ridiculariza a justiça. Afirma que a falta de investigação ou a interrupção dela, ocorria por preguiça, esquecimento e, até, devido ao medo característico dos funcionários públicos. Contrapõe-se ao relatar que a continuidade das investigações poderia ocorrer para forçar a oferta de suborno, por parte do acusado. Cita que o funcionário responsável pela negociação do suborno vestia-se bem, por recomendação dos colegas, para facilitar o desempenho na tarefa. Ou seja: a empáfia criada pela vestimenta induz a elevação do valor do suborno.

Kafka refere-se à justiça com severidade. Em algumas situações, o autor expõe e castiga os funcionários que não desempenham as tarefas de forma eficaz. Dois guardas são chicoteados pelo espancador, por não cumprirem adequadamente as tarefas.

A capacidade do autor de dizer e desdizer, afirmar e contradizer, intuir e desentender chega a ponto de descrever cenas não ligadas diretamente à história, só para levar o leitor a divergir do que já havia concordado. Afirma que as nossas opiniões, muitas vezes, são expressões do desespero. Chama a atenção para o fato de nos pronunciarmos a respeito de determinadas coisas conforme as nossas conveniências.

Kafka é terrível! Leva o leitor para onde ele quer, em seguida, o devolve a sua própria consciência e afirma com maestria: A compreensão correta de uma coisa e a má compreensão desta mesma coisa não se excluem de todo”.

O livro é assim. Quando se imagina que a solução foi justa, de justiça, ocorre o pior: condenam e matam um homem que não sabe do que foi acusado, sem direito à defesa.

Informações sobre o autor - Franz Kafka nasceu em Praga a 3 de julho de 1883. Filho de um abastado comerciante judeu cresceu sob as influências de três culturas: a judia, a tcheca e a alemã. Formado em direito, ele fez parte, junto com outros escritores da época, da chamada Escola de Praga. Esse movimento era basicamente uma maneira de criação artística alicerçada em uma grande atração pelo realismo, uma inclinação à metafísica e uma síntese entre uma racional lucidez e um forte traço irônico.

R

sexta-feira, 13 de março de 2009

As Andorinhas de Cabul - Yasmina Khadra

O romance trás uma história curiosa. A trama escolhida pelo autor para relatar situações vividas pelo povo afegão submetido aos talibãs envolve dois casais que destoam do relacionamento tradicional daquele país.

Um burguês sem esperanças, uma advogada impedida de exercer a profissão, uma mulher que luta pela sobrevivência diante de uma doença incurável, e um guarda de presídio que se abate ao presenciar execuções de pessoas que agem fora dos padrões religiosos e definidos pelo regime tirano de uma sociedade muçulmana.
Os quatro personagens que vivem em Cabul, quando os talibãs determinam ao Afeganistão um regime desumano são Mohsen (intelectual); Zumira (advogada); Atiq (carcereiro) e sua mulher Mussart.

Nos últimos capítulos, por situações diferentes, os destinos dos casais se entrelaçam, e a maior surpresa aparece quando Mussarat, esposa de Atiq Shankat, percebe a angustia do marido ao se apaixonar involuntariamente por Zunaira, esposa de Moshen, e decide abrir mão da própria vida para tentar fazê-lo feliz.

O autor consegue mostrar de forma sutil e inteligente que o ser humano, apesar de agir conforme o preceito religioso possui sentimentos inerentes à própria natureza, independente da doutrina que pratique.

A capa do livro traz uma foto de burkas azuis soltas ao vento.
Segundo relato, a capista Moema Cavalcanti pretendeu denunciar o trabalho cotidiano da mulher, e a falta de esperança das usuárias de burkas.

Informações sobre o autor - Yasmina Khadra é o pseudônimo literário do argelino Mohamed Moulessehoud. Recebeu o Prêmio dos Livreiros Franceses 2006. É considerado uma das grandes vozes da moderna literatura francesa.

Ocorreu um erro neste gadget