sexta-feira, 16 de abril de 2010

O Albatroz Azul – João Ubaldo Ribeiro

Belinha, a única filha de Tertuliano em idade frutífera, casada com Saturnino Bororó, estava grávida e esperava que fosse mais uma mulher a somar às muitas já paridas. Ocorre que, Tertuliano tinha certeza, que desta vez, na barriga da filha crescia um menino.
Pesquisou o nome mais apropriado para o neto, mesmo antes de nascer, e concluiu que ele se chamaria Raymundo Penaforte. Guardou para si os preparativos e ficou aguardando chegar o dia que a parteira Altina Pequena seria chamada para ajudar no parto de Penaforte.

Durante o trabalho de parto, Altina mandou convocar Tertuliano, logo ele confirmou a aparição da lua cheia no céu. Ao chegar à casa de Belinha, Altina lhe informou que o menino estava nascendo de bunda e Tertuliano refletiu de imediato, sobre os sinais que havia recebido durante a gestação de Penaforte. Assim que o menino foi habilmente manipulado pelas mãos da parteira, lhe foi entregue para completar o ritual: “Depois de puxá-lo sem esforço, como se não tivesse havido nenhuma dificuldade antes, Altina passou o menino ainda gosmento a seu avô, que o levou com o traseirinho na direção da lua e assim o manteve em quanto rezava um padre-nosso e uma ave-maria...”.
Ou seja, o menino tinha nascido com o “cu para a lua”, e os que assim nascem sempre têm um destino promissor.

Nestor Gato Preto, velho amigo de Tertuliano, conhecedor de muitas seitas e religiões, o convidou para um passeio e revelou que o garoto era detentor de duas vidas.
Daí em diante restava preparar o futuro da criança. Primeiro, foi a escolha de Zé Honório e dona Roxa Flor como padrinhos. Casal com patrimônio e experiência suficiente para, na eventualidade, cuidar do futuro de Raymundo Penaforte.

Após o nascimento do neto e a revelação sobre suas duas vidas, Tertuliano, firmou idéia que uma das vidas, do neto, seria vivida por ele, após sua morte. Aliás, nada e ninguém conseguiram desvencilhar Tertuliano, da idéia, que ele estava caminhando, rapidamente, para a morte.

O conceito sobre a proximidade da morte levou o velho Tertuliano Jaburu a refletir sobre a história da sua vida.
O pai de Tertuliano, Juvenal Peixoto do Amaral Botelho Gomes era filho de Nuno Miguel Botelho Gomes, e foi criado por Antônia Vicência, a Cencinha, que tinha como filhas Albina e Catarina. Durante a convivência, Juvenal, pai de Tertuliano, dormia com as duas moças, e terminou por engravidá-las.

A possibilidade de Nuno voltar a se casar em Portugal deixou Cencinha agitada. Afinal, a esperada herança do português seria dirigida a sua nova e jovem esposa. Não deixou por menos, chamou o afilhado, namorado das filhas, e determinou que tomasse as providências. Juvenal visitou o mais conhecido e eficaz mestre da feitiçaria e “encomendou” o impedimento da realização do casamento de Nuno.
Tudo não passava de uma decepção, já que os trabalhos não haviam surtido o efeito desejado. Nuno Miguel havia se casado e a sua mulher estava grávida. A notícia chegou a Itaparica como uma ducha de água fria. O prestígio do mestre feiticeiro caiu por terra, até que, certo dia um mensageiro chegou informando que a nova mulher de Nuno havia morrido, com o filho na barriga.

Cencinha se apressou em formalizar o casamento de Juvenal com uma das suas filhas, antes da viagem dele para Portugal, que tinha a finalidade de assumir a herança. Nuno poderia exigir que Juvenal se casasse com uma portuguesa, caso ele chegasse solteiro em Portugal, e Cencinha, preocupada com esta possibilidade, resolveu que Juvenal se casaria com Catarina, sua filha mais querida, contudo, havia um problema a ser resolvido: Tertuliano era filho de Albina, mas, Cecinha e Juvenal concordaram com a idéia de que um filho homem agradaria a Nuno Miguel. Como Catarina tinha uma filha, Juvenal decidiu comunicar a Tertuliano Jaburu, avô de Raymundo Penaforte, que daquele dia em diante, ele, Tertuliano, não mais seria filho de Alba e sim de Catarina.

Tertuliano Jaburu, apesar de uma vida bem vivida e aceitar a morte com naturalidade, não se desvencilhava dos conflitos existenciais, entre os quais, estava o fato de ter mudado de mãe. Na cadeira de balanço, refletia sobre a vida e a morte até que apareceu o marujo holandês Hendrick Beekman, morto durante a expulsão dos holandeses da Bahia, e lhe revelou um segredo.
Assim surge o Albatroz Azul, livre, majestoso, solto no céu...

O leitor embarca no clima e na linguagem regional da Ilha de Itaparica, na Bahia, e se delicia com um texto folclórico, comprometido com histórias hilárias de crendices, que aqueles que por lá passaram, percebem na atmosfera a maresia carregada de hábitos, crenças, manipulações e convicções de um povo habituado a forma simples de ser. 

Informações sobre o autor – Baiano da Ilha de Itaparica começou a escrever cedo, aos vinte e um anos, publicou Sargento Getúlio, Viva o Povo Brasileiro, A casa dos budas ditosos, Diário do farol, entre outros. É membro da Academia Brasileira de Letras e recebeu o prêmio Camões, atribuído aos maiores escritores da língua portuguesa. 

Referência bibliográfica
Ribeiro, João Ubaldo
O albatroz azul / João Ubaldo Ribeiro. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
236p.
ISBN 978-85-209-2386-3
1. Romance brasileiro. I.Título.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O menino de pijama listrado – John Bonye

A história de ficção é baseada nos horrores do Holocausto, contada por um garoto alemão, cujo pai, foi designado por Hitler, para comandar o campo de concentração de Auschwitz.

Bruno, o protagonista da história, tinha nove anos quando foi obrigado a abandonar, em Berlin, os amigos Karl, Daniel, e Martin, além da avó Nathali e o avô Matthias, e, acompanhar o pai, que havia sido designado para comandar o campo de concentração de Auschwitz, que o autor apelidou de Haja-Vista.

Desde que Bruno chegou a Haja-Vista, detestou a casa e o lugar, não só pelo que tinha deixado para traz, mas, também por ser um lugar sem vida, sem amigos e sem escola. Não bastassem estas condições, a única pessoa que se aproximava de sua idade era a sua irmã Gretel, porém, os dois, competiam entre si em todas as situações.
O fato do escritório de Ralf, pai de Bruno, ser na própria residência, fazia com que o entra e sai de soldados na casa se tronasse constante. Esta situação despertava a curiosidade do garoto, até porque não lhe era permitido adentrar ao escritório, tampouco acompanhar os diálogos lá ocorridos. Não bastasse o impedimento, nas reuniões sociais, tanto ele como a irmã Gretel, recebiam a recomendação para se recolherem aos seus quartos.

O habito de ler histórias de aventuras, despertou, em Bruno, o interesse por descobertas de lugares e coisas desconhecidas. Na casa em Berlin ele tinha muitos lugares para explorá-la, contudo, em Haja-Vista, após ter descoberto, através da janela do seu quarto, pessoas, além da cerca, usando o que ele chamou de pijama listrada, resolveu contornar a cerca do campo de concentração, sem saber exatamente o que se tratava, e terminou fazendo contato com Shumel, um garoto judeu que tinha a sua idade e nascido no mesmo dia que ele.
Após a conversa com Shumel, o qual se tornou seu melhor e único amigo em Haja-Vista, as visitas se tornaram diárias, oportunidade que Bruno lhe brindava com merendas levadas nos bolsos da calça.
Os diálogos entre Shumel e Bruno eram recheados de cordialidades, apesar de eventualmente, haver citações sobre a grandiosidade do povo alemão em detrimento aos judeus. Situação, contornada habilmente pelo garoto judeu, já que tinha, em Bruno, a alternativa de reforçar a fraca dieta do campo de concentração. Para Bruno, o interesse era dialogar com alguém disposto a ouvi-lo, já que em sua família, poucos estavam atentos à sua necessidade, a não ser Maria, a empregada, e Pavel, o médico idoso, encarregado de descascar verduras.

É sabido que na Alemanha, na época da grande guerra, formam cometidas muitas atrocidades contra judeus, contudo, o povo não se rebelava contra a prática dos crimes, não se sabe se por temor aos castigos do exército que servia a Hitler, ou por conforto do discurso equivocado de ser um povo de casta superior aos demais humanos.
Bruno se contradizia: em algumas situações ele se colocava como defensor dos oprimidos, em outras, se incluía entre os que se julgavam superiores. Ao que parece, o protagonista adsorveu diálogos de desaprovação de atitudes entre sua avó e seu pai, que influenciaram no conflito dos conceitos.
Certa vez, em uma reunião familiar, Nathali, avó de Bruno, disse ao filho, ao vê-lo com um uniforme novo, após a sua promoção: “Eu me pergunto – será que foi nisso que eu errei com você Ralf. Imagino se todas aquelas performances que eu exigir de você o levaram a isso. Fantasiar-se de fantoche. Você fica aí no seu uniforme como se isso o tornasse alguém especial. Nem se importa com o seu verdadeiro significado. O que ele representa.”

Ao ser informado, pelo pai, que voltaria para Berlin, juntamente com a sua irmã e sua mãe, Bruno, que já havia se adaptado a Haja-Vista, decidiu de comum acordo com o amigo Shumel, entrar no campo de concentração e ajudá-lo a localizar o pai, do garoto judeu, que havia sumido. Esta foi uma aventura idealizada por Bruno, devido às leituras habituais sobre explorações, relatadas nos livros que gostava de ler.
O fato trouxe uma grande e tenebrosa surpresa, que para entendê-la, o leitor precisará conhecer um pouco das práticas no campo de concentração de Auschwitz, na Polônia.

O texto é escrito na forma direta e simples, recheado de diálogos ingênuos e comportamentos infantis de adolescentes. Oferece a oportunidade de visão do holocausto a partir de uma criança alemã, componente de uma família, cujo pai, era envolvido nos crimes de guerra. 

Informações sobre o autor - Nasceu na Irlanda em 1971, e é autor de mais sete romances. Os livros do autor foram traduzidos para mais de trinta idiomas.  

Referência bibliográfica
Boyne, John
O menino de pijama listrado: uma fábula / John Boyne; tradução de Augusto Pacheco Calli - São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
186p.
ISBN 978-85-359-1112-1
1. Amizade - Ficção 2. Berlim (Alemanha) - Ficção 3. Ficção irlandesa 4. Jovens - Ficção I.Título.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Relato de um Náufrago – Gabriel García Márquez

Na noite que antecedeu o retorno do destróier Caldas, da frota da marinha colombiana, dos Estados Unidos, onde havia sido reparado, um grupo de marinheiros preparou uma festa de despedida, se encheram de uísque, abraçaram e beijaram as namoradas que estavam deixando para traz, saíram do descanso forçado provocado pela reforma da embarcação e assumiram seus postos de trabalho.

Ao enfrentarem uma tempestade no mar do Caribe, o comando do Caldas determinou que oito tripulantes parassem de curtir a ressaca, em seus aposentos, e subissem para contrabalançar a embarcação, desalinhada pelas fortes ondas. Entre os tripulantes estava o protagonista da história, Luís Alexandre Velasco.

Onda pra lá, onda pra cá, os oito tripulantes foram arremessados ao mar, juntamente com um carregamento, nada comum em uma embarcação de defesa nacional. O destróier carregava contrabando de eletrodomésticos, trazidos dos Estados Unidos com destino à Colômbia, enquanto o país vivia sob a ditadura militar do general Gustavo Rojas Pinilla.

Velasco, o único sobrevivente entre os que caíram no mar, conseguiu agarrar-se a uma balsa e ficar dez dias, a deriva, lutando pela sobrevivência, sem comer, e sem beber.
Enquanto a marinha colombiana anunciava a inexistência de sobreviventes, Velasco, foi levado à Colômbia, pelas correntes marinhas, e, após dez dias de convivências com tubarões, gaivotas, e fantasma de um dos companheiros que não sobreviveu a fúria do mar, arrastou-se até a terra firme, e pediu ajuda de moradores, que o levaram, em comitiva, a caça de cuidados médicos.

Surpresa, com a sobrevivência de Velasco, a marinha não mudou a versão dos fatos, contudo, o transformou em herói nacional. Enquanto isso, o náufrago, ganhava dinheiro com propaganda das marcas do relógio e do sapato que usava, por terem resistido às intempéries.

Esquecido pelo sistema político que o projetou, Velasco, resolveu procurar o jornal El Espectador, e contar a sua versão da história.
Assim, o jovem jornalista, Gabriel García Márquez, ouve o náufrago e publica em quatorze dias consecutivos a verdadeira história. O fato toma novo rumo, e apesar das tentativas de ingerência dos militares para impedir a divulgação da narrativa tornou-se de interesse do público.

O texto não tem a forma característica de outras obras de Gabriel García Márquez. Os acostumados a ler o autor, percebe, com facilidade, que não se trata de mais uma obra idealizada por um dos gênios da literatura, mas, o “Relato de um náufrago”, chamado Luís Alexandre Velasco. Aliás, o autor cita: "há livros que não são de quem os escreve, mas de quem os sofre, e este é um deles". 

Informações sobre o autor – O escritor colombiano, Gabriel José García Márquez, apelido Gabo, nasceu em 1928 na aldeia de Aracataca, na Colômbia. Cedo abandonou a casa dos pais e trabalhou em diferentes empregos. Fez seus estudos em Barranquilla e chegou a iniciar o curso de direito em Bogotá, época em que publicou seu primeiro conto. Exerceu o jornalismo em Cartagema, Barranquilla e no El Esplendor, de Bogotá. Foi correspondente das Nações Unidas em Nova York. Recebeu Prêmio Nobel de literatura por sua obra que entre muitos outros livros inclui “Cem anos de Solidão”.  

Referência bibliográfica
García Márquez, Gabriel, 1928 -
Retrato de um náufrago / Gabriel García Márquez; tradução Remy Gorga; Ilustrações de Caribé. 35ª ed. - Rio de Janeiro: Record, 2009.
134p.
Tradução de: Relato de un naufrago
ISBN 978-85-01-01120-6
1. Velasco, Luis Alejandro. 2. Sobrevivência (após acidentes aéreos, náufragos etc.). 3. Marinheiros - Colômbia - Biografia. I.Título.

terça-feira, 23 de março de 2010

Leite Derramado – Chico Buarque de Hollanda

Chico, fala da dificuldade do idoso memorizar fatos recentes e concatenar idéias de forma lógica e objetiva. Mistura temas da história política brasileira, com relatos, aparentemente sem nexo, com o intuito de mostrar o valor que tem a qualidade nas relações pessoais, e a influência, que estas produzem, no bem-estar dos indivíduos.

Os conflitos de valores incutidos por preconceitos sociais conflitam com sentimentos vividos pelo protagonista da história. Neste ponto, Matilde, a inesquecível mulata que se tornou mulher de Eulálio Montenegro d'Assumpção, é colocada, em sua vida, com a pecha de tê-lo traído. A inclusão de Matilde na história, com as características raciais descritas, tem como alvo sublimar preconceituosos e enaltecer a forma como são vistas as mulheres, mesmo quando são criadas em ambientes considerados nobres.
No caso específico, o autor deixa subentendido que Matilde pode ter fugido com o francês Dubosc, sem deixar vestígios, abandonando o marido e a filha Maria Eulália.
Apesar de ela ter a pele escura, o autor destaca que os seios são brancos, procurando contradizer, de forma simbólica, a lógica equivocada entre a cor da pele e os valores do indivíduo. Expõe a personagem, quando relata o seu apetite sexual e o desinteresse por assuntos intelectuais, ao ponto de citar sua tímida postura nas reuniões sociais.

Em vários momentos, o autor utiliza-se do protagonista, que tem a memória desfalecente e repetitiva, e relata os encontros entre Eulálio e Matilde, antes do casamento.
Diz o protagonista, que se sentia o responsável por despertar o calor sexual em Matilde, mas, recebia em retribuição o sentimento de se sentir o maior homem do mundo: “Eu descia correndo e lhe abria a porta da cozinha, que Matilde apenas ultrapassava. Encostava-se na parede da cozinha, a respiração curta, e me arregalava os olhos negros. Em silêncio nos olhávamos por cinco, dez minutos, ela com as mãos na altura dos quadris, agarrando, torcendo a própria saia. E corava pouco a pouco até ficar bem vermelha, como se em dez minutos passasse por seu rosto uma tarde de sol. A um palmo de distância dela, eu era o maior homem do mundo, eu era o Sol. Via seus lábios entreabrirem, e acima deles brotavam umas gotículas de suor, enquanto suas pálpebras devagar cediam. Enfim eu me jogava contra o corpo dela, pressionava o corpo dela contra a parede da cozinha, sem contatos de pele, e sem avanços de mãos ou de pernas, por algum acordo jamais expresso. Com meu tronco eu a esmagava, quase, até que ela dizia, eu vou, Eulálio, e seu corpo tremia inteiro, levando o meu a tremer junto.”

No leito de um hospital, o moribundo Eulálio Montenegro d'Assumpção narra a sua história e têm como ouvintes, de forma alternada, a sua filha e uma das enfermeiras do hospital. Nas entrelinhas, fala do desejo de retornar a casa em Copacabana, das dificuldades financeiras, do descaso da sociedade em relação aos idosos, da equivocada forma de se fazer política, da falta de atenção do poder no que se refere à segurança pública, do tráfico de drogas, e da desilusão amorosa.

Aborda, com insistência e de forma repetitiva, a sua paixão pela mulher que nunca conseguiu tirar da memória, apesar da confusão mental que vivenciava ao completar seus cem anos de vida.

O texto tem forma diferenciada, requer disciplina do leitor para adaptar-se à sua característica, caso contrário, poderá parecer repetitivo, contudo, o autor consegue atingir o seu intento: roubar a memória de um idoso que sofre de amor e abandono. 

Informações sobre o autor - Francisco Buarque de Holanda nasceu no Rio de Janeiro, em 1944. Cantor e compositor, publicou as peças Roda Viva (1968), Calabar (1973), Gota d´água (1975), e Ópera do Malandro (1979); a novela Fazenda modelo (1974) e os romances Estovo (1991), Benjamim (1995), e Budapeste (2003). 

Referência bibliográfica
Buarque, Chico
Leite derramado / Chico Buarque. - São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
195p.
ISBN 978-85-359-1411-5
1. Romance brasileiro I.Título.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O Jogo do Anjo – Carlos Ruiz Zafón

Um livro cheio de mistérios.
O jovem Martín, que vivia com o pai, analfabeto e veterano de guerra, passou a morar nas dependências do jornal “La Voz de La Indústria”, após seu pai ter sido assassinado no lugar de Pedro Vidal.
O escritor de histórias policiais, filho do proprietário do jornal, se sentiu culpado pela morte do pai de Martín e tentou ajudá-lo, já que ele era o alvo do assassino.
Certo dia, Martín, ainda sem rumo, foi convocado para redigir o texto que faltava para “fechar o jornal”, a ser impresso logo em seguida. Para surpresa do revisor, a história caiu no agrado dos leitores e Martín se tornou imprescindível para o periódico.
A partir daí, a história toma um rumo macabro, cheio de suposições simbólicas e sobrenaturais.
Martín é contratado por uma editora, cuja ética dos proprietários deixa a desejar. Neste contexto surge, Andreas Corelli, um estrangeiro que se diz editor de livros em Paris.
Apesar de Martín ter contrato firmado com os editores Barrido e Escobillas, para escrever a série “A Cidade dos Malditos”, Andreas Corelli, lhe ofereceu uma fortuna para escrever um livro que convencesse os leitores a segui-lo, como religião.
Martín, ciente do diagnóstico médico sobre a sua precária saúde, cuja vida foi estimada em um ano e meio, devido à existência de um carcinoma no cérebro, tentou se desvencilhar da encomenda, contudo, Andreas Corelli não o deixava em paz. Devido o diagnóstico médico e a estimativa de vida, Martín resolveu não cumprir o contrato com os editores.
Daí em diante, ocorre uma serie de coincidências que deixa o leitor atento, na esperança de entendê-las. Os editores morrem, após um incêndio criminoso e Martín fica curado, apesar da ausência de cuidados médicos. Enquanto estes fatos ocorrem, a polícia investiga, minuciosamente, a vida de Martín, deixando-o atordoado.
Sempere, proprietário de uma livraria, abriga e conforta Martín em todas as suas agruras.
Cristina, filha de um motorista, atraiu o amor do jovem escritor e, ao mesmo tempo, aceitou casar-se com Pedro Vidal, o mesmo que o pai do protagonista morreu em seu lugar.
Neste contexto, Sempere, apresenta Isabela, a Martín, que diz querer ser escritora, tornando-se sua discípula literária.
Apesar de a história enaltecer o valor dos livros com diálogos e citações, ela se embrenha em mistérios que mais parece um enredo, escrito para filme de Hollywood.
Sem querer ser petulante, a história poderia ter sido narrada de forma mais sucinta, sem perder a sua essência. Em alguns momentos o drama se apresenta cansativo, sem novidades e, ao final, nada de concreto ou filosófico. 

Informações sobre o autor - Carlos Ruiz Zafón, nasceu em Barcelona, em setembro de 1964. Seu primeiro romance, A Sombra do Vento, foi traduzido em mais de trinta idiomas e publicado em cerca de quarenta e cinco países. 

Referência bibliográfica
Zafón, Carlos Ruiz
O jogo do anjo / Carlos Ruiz Zafón; tradução Elianan Aguiar.- Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.
410p.
ISBN 978-85-60280-30-8
Tradução de: El juego del ángel
1. Romance espanhol. I.Aguiar, Eliana. II.Título.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O Jogador – Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski


A história relata o envolvimento de Alexei Ivanovich, um prospector encarregado da educação dos filhos de um general, viúvo, que vive como hospede em um hotel, acompanhado de sua enteada Paulina Alexandrovna e tem como pano de fundo os efeitos maléficos o vício do jogo.

Paulina é usada, pelo general, para flertar com pessoas responsáveis por financiar a sua dívida originada do jogo, que tinha como garantia os bens da vovó Antônia Vassilievna, cuja morte era aguardada, com ansiedade, pelo general e seus credores.

A proximidade de Alexei terminou em amor platônico e o fez querer entender o que havia, sob sigilo, nos relacionamentos entre Paulina e outros personagens da história. A admiração dele, por Paulina, não tinha limite, jurava devoção e se submetia a qualquer exigência para que seus valores fossem reconhecidos por ela. Quanto mais Alexei tentava se aproximar, ela dissimulava e estimulava o seu ciúme.
Até que Alexei encontrou, na roleta, uma alternativa para ajudar a amada se desvencilhar do general, tornado-se, a mando de Paulina, um jogador, contudo, a princípio, de nada lhe serviu para conquistar o respeito, apesar de se tornar um ganhador e como tal, a exemplo dos grandes ganhadores, conquistar, momentaneamente, o reconhecimento dos freqüentadores do cassino.

Enquanto a história amorosa se desenrola, o general continua prisioneiro das mordaças financeiras impostas pelos agiotas Astley e Grieux.

Quando tudo parecia caminhar para um desfecho confortável, o grupo foi surpreendido com a chegada da vovó Antônia Vassilievna ao hotel, o que terminou criando um rebuliço com suas extravagâncias, dando curso contrário ao esperado. Alexei que se encontrava desprestigiado pelo general, obteve apoio da vovó e passou a acompanhá-la em muitas investidas nas roletas. A preocupação com a quebradeira da excêntrica senhora, devido o jogo, passou a não ser só do general, mas, também, dos que esperavam receber a dívida através do patrimônio que começava a ser desperdiçado no cassino.
Alexei de relegado passou a estratégico para o grupo, por crerem que só ele seria capaz de fazê-la parar de jogar, o que, efetivamente, não ocorreu. A velha terminou deixando grande parte de sua fortuna apostando no “zero” das roletas do cassino.

Desiludida, Antônia Vassilievna , retornou pra casa no intuito de cuidar do que ainda restava do patrimônio, enquanto Alexei decidiu investir pesado na jogatina e terminou ganhando muito dinheiro. Logo, chamou a atenção da Mademoiselle Blanche, uma vigarista francesa, que andava enrabichada com o general. Mudou-se, com Blanche, para Paris e em poucos meses a trapaceira tomou-lhe a maior parte do dinheiro. Preso, por dívida, Alexei teve sua fiança paga não se sabe por quem. Após sua soltura encontrou-se com o inglês Astley que lhe revelou a localização de Paulina. Enquanto isto, a vigarista Blanche abrigou, em Paris, o general caduco em um apartamento decorado com dinheiro de Alexei.
Narra, a história, que a sobra do patrimônio da vovó terminou ficando com a Mademoiselle Blanche, por ter se aproveitado da caducagem do general.

Dostoiévski conta, com riqueza de detalhes, as emoções e os efeitos danosos do jogo. Ele, que era um jogador compulsivo, conseguiu revelar os danos e a angústia de tentar superar a falta de lógica ao giro do circulo numerado chamado roleta, inventada pelo francês Louis Blanc.

Informações sobre o autor Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, nasceu em Moscou, em 1821. Cursou engenharia e estreou na literatura em 1845. Foi condenado à morte em 1849, por envolvimento com política liberal. Minutos antes do fuzilamento, sua pena foi modificada por um período de exílio na Sibéria. Morreu em São Petersburgo, em 1881. É autor de Irmãos Karamazóv, O Jogador, Notas de Subsolo, O Eterno Marido, e Recordações da Casa dos Mortos. É considerado o mais importante romancista russo. 

Referência bibliográfica
Dostoiéviski, Fiódor, 1821-1881.
O jogador / Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski;
tradução de Roberto Gomes. - Porto Alegrre: L&PM, 2009.
208p. ; 18cm. - (Coleção L&PM Pocket)
1.Ficção russa-romances. I.Título.II.Série.