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quarta-feira, 9 de julho de 2014

O Silêncio das Montanhas – Khaled Hosseini

A fábula contada pelo pai dos órfãos Abdullah e Pari tem a aldeia de Maidan Sabz como cenário da vida de devs, jinis e gigantes que perambulavam por terras de um fazendeiro chamado Baba Ayub. Um dev submete um pai a escolher um dos filhos para entrega-lo em troca da sobrevivência. A decisão da escolha acarretou sofrimentos, perdas, benefícios e recompensas.
Ao passar do tempo, a fábula se transforma em realidade e o pai de Abdullah e Pari é submetido a conflitos por ceder a filha em troca de recompensa financeira. A decisão acarretou consequências imprevisíveis e irreparáveis na vida e dos irmãos.  
O patrão do motorista, Nabi, casa-se com a poeta Nila Wahdati que descobre o interesse do marido, homossexual, por ele. Nila desperta a admiração de Nabi e ao conhecer a sua história o convence a leva-la à aldeia onde morava o pai de Pari. Convencido por Nila, o pai da garota abdica-se da filha em troca de recompensa financeira. Consumado o fato, Nila e Pari vão morar em Paris e deixa o marido, moribundo, aos cuidados do motorista, em Cabul.
Nila, filha de um afegão com uma francesa, embarca no mundo da intelectualidade e experimenta um relacionamento que interfere no convívio com a garota.

A história contada em vários cenários e por diversos personagens culmina com a morte de Nila que termina por revelar a verdadeira origem de Pari. De volta ao Afeganistão, a já adulta Pari, reencontra o irão e toma consciência das perdas acarretadas pela realidade sociopolítica do país e das consequências desastrosas do fato.
Fora do tema central que move a narrativa outros fatos são contextualizados referentes às perdas e dificuldades para recuperação da autoestima:
“Muitos anos depois, quando comecei a estudar para ser cirurgião plástico, entendi uma coisa que não sabia naquele dia na cozinha, enquanto argumentava para que Thalia saísse de Tinos e fosse para o internato. Aprendi que o mundo não via o seu interior, não se importava com as esperanças, os sonhos e as tristezas que pudessem existir sob a pele e os ossos. Era simples assim, absurdo e cruel. Meus pacientes sabiam disso. Percebiam que muito do que eram, do que seriam ou poderiam ser girava em torno da simetria de suas estruturas ósseas, do espaço entre os olhos, do tamanho do queixo, da projeção da ponta do nariz, se tinham ou não o melhor ângulo frontal.
A beleza é uma dádiva imensa e imerecida, distribuída aleatória e estupidamente. ”

“Minha proposta para Thalia continua valendo até hoje. Sei que ela não vai aceitar. Mas agora eu entendo. Porque ela tem razão, isso é quem ela é. Não posso pretender saber como deve ter sido olhar para aquele rosto no espelho todos os dias, fazer um levantamento da horrível ruína, reunir vontade para aceitar. A força gigantesca necessária, o esforço, a paciência. A aceitação tomando forma lentamente, ao longo dos anos, como rochas num penhasco na beira do mar, esculpidas pelas ondas que batem. Foram minutos para o cachorro dar a Thalia aquele rosto, e toda uma vida para transformá-lo numa identidade. Ela não me deixaria desfazer tudo isso com meu bisturi. Seria como infligir um novo ferimento sobre o antigo. ”

O que move as pessoas na busca por mudanças não é o que querem, mas, o que não querem, afirma o autor...
“— É uma coisa engraçada, Markos, mas normalmente as pessoas veem a coisa ao contrário. Elas pensam que vivemos pelo que queremos. Mas o que as conduz é o que elas temem. O que elas não querem. ”

Em várias oportunidades e por motivos diversos o ser humano é submetido a situações parecidas com a da fábula. Mães e pais, obrigados ou por opção, se afastam dos filhos e/ou os apartam dos irmãos. As consequências são as mais diversas. Certamente, cada um de nós já ouviu contar situações parecidas.
O Silêncio das Montanhas é rico no campo das relações humanas e impõe escolhas e decisões que interferem na vida e bem-estar das pessoas. Não bastasse a importância do tema o autor usa uma narrativa que mantem o leitor zelado.
  
Informações sobre o autor - Khaled Hosseini é médico nascido em Cabul capital do Afeganistão, com naturalização estadunidense. Sua mãe era professora e o seu pai trabalhou no Ministério do Exterior afegão. Em 1976 mudou-se com a família para Paris por conta do emprego do seu pai. Enquanto estavam em Paris, os comunistas assumiram o poder. Formou-se em medicina na Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos. Escreveu além do Caçador de Pipas, A Cidade do Sol e O Silêncio das Montanhas

Referência bibliográfica
Hosseini, Khaled
O Silêncio das Montanhas: romance / Khaled Hosseini. - São Paulo: Editora Globo S.A., 2013.
eISBN: 9780986939754.
Título original: And the montains echoed.
Tradução: Claudio Carina.

Apresentação: Livro digital.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Caçador de Pipas – Khaled Housseni

Um garoto rico, egoísta, covarde e ciumento, nascido no Afeganistão, arranja um amigo fiel que lhe serve de companheiro e se faz presente nas horas difíceis.
A covardia e insegurança de Amir certamente provocada pela ausência do bem sucedido pai e da falta da mãe que nem chegou a conhecer, estimulavam a agressividade praticada por outros garotos que também viviam em Cabul.

Sempre que Amir era agredido Hassan que figurava como seu empregado, se colocava em defesa. Assim se desenvolve o início da narrativa das vidas dos garotos, que apesar de próximos, tiveram experiências e sentimentos incríveis e singulares.

Enquanto Amir que participava da respeitada casta pashtun demonstrava fragilidade, Hassan que tinha motivos de sobra para se sentir inseguro por ser pobre, ter sido abandonado pela mãe e pertencer à etnia hazara, discriminada no Afeganistão, mostrava-se corajoso e decidido a enfrentar qualquer situação em defesa do amigo patrão.
O excesso de dedicação a Amir rendeu a Hassan algumas situações humilhantes, principalmente quando se opunha às provocações do grupo de Assef, um garoto que alimentava ódio pelos hazaras.

Apesar de filhos do mesmo pai com mães diferentes, Amir tentava entender as suas maldades e Hassan atuava com vigor e desembaraço em defesa do irmão, até que problemas políticos ocorridos no Afeganistão separaram os dois personagens: o rico migrou para os Estados Unidos e o pobre permaneceu em Cabul entregue às mazelas de um país invadido por forças russas e também submetido ao fundamentalismo religioso do talibã.

Nos Estados Unidos, anos depois de casar-se com a compreensiva Soraya, o médico Amir recebeu um telefonema de Rahim Khan amigo do seu falecido pai, que se encontrava doente no Paquistão. Decidiu partir ao seu encontro e de lá para o Afeganistão após tomar conhecimento da tragédia sucedida com Hassan e para tentar entender parte sua própria história.
Lá chegando, após as dificuldades encontradas no trajeto, encontrou um país destruído e quase não consegue reconhecê-lo. Agredido, e perseguido por ter abandonado o país, após ser informado por Rahim que Hassan era seu irmão, imagina poder corrigir erros do passado, a exemplo do ocorrido com a traição feita no dia do campeonato de pipas, quando Hassan foi estuprado por Assef e ele se omitiu.

Apesar de o romance possuir os ingredientes que atrai o leitor sublimando aspectos da personalidade humana, induz à identificação cultural norteamericana como uma das raras oportunidades para o alcance da felicidade, em detrimento dos demais princípios culturais e religiosos.

O livro fala da invasão russa, do regime talibã, mas omite o envolvimento político dos Estados Unidos na região.
Independente da tendência política e cultural o livro merece ser lido sobre o ângulo dos conflitos da psique. Neste aspecto ele atinge pleno objetivo.

Informações sobre o autor - Khaled Hosseini é médico nascido em Cabul capital do Afeganistão, com naturalização estadunidense. Sua mãe era professora e o seu pai trabalhou no Ministério do Exterior afegão. Em 1976 mudou-se com a família para Paris por conta do emprego do seu pai. Enquanto estavam em Paris, os comunistas assumiram o poder. Formou-se em medicina na Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A cidade do sol - Khaled Hosseini

O livro A cidade do Sol escrito por Khaled Hosseini também autor do best-seller “O Caçador de Pipas”, relata as histórias de duas mulheres no Afeganistão. Comove o leitor pela alienação religiosa que permeia a história intensificada pelo conturbado período das guerras civis, a invasão soviética, e a ocupação americana.

Duas mulheres amaldiçoadas pela sorte são humilhadas de forma deplorável, jamais imaginada por povos do ocidente.

Mariam, trinta e três anos, filha ilegítima de Jalil, empresário de uma cidade próxima à fronteira com o Irã, se viu obrigada pelas esposas do pai a se casar com o estúpido Rashid, de 45 anos, tradicional comerciante de sapatos, sabendo da obrigação de lhe dar muitos filhos.
O relacionamento tornou-se intolerável quando Rashid passou a desejar um herdeiro e Mariam teve uma série de abortos. Ele a penalizou pela incapacidade de procriar, espancando-a sem piedade.

Laila, a outra mulher da história, aos quatorze anos, filha de um professor que morava próximo à casa de Mariam e Rashid, foi surpreendida quando um foguete disparado durante as guerras civis explodiu sua casa, matando os seus pais.
Grávida do namorado Tariq, também adolescente, que havia mudado de cidade sem se dar conta do ocorrido, resolve aceitar o convite do estúpido Rashid e torna-se a sua segunda esposa.
No início, o conflito entre as duas mulheres foi estimulado por Rashid ao declarar sua preferência por Laila. Ele sabia que Laila estava grávida de Tariq, e ela insinuava que o filho que carregava na barriga era do comerciante de sapatos.
Posteriormente, as duas mulheres se voltam contra o marido devido às atitudes agressivas e resolveram se unir para derrotá-lo e driblar o regime político.

O livro trata de forma emocionante das privações, humilhações, e ofensas e das emoções que culmina com o reencontro de Laila e Tariq.

Por fim, a carta escrita por Jalil à filha Mariam é uma exposição sobre o despreparo do homem ao se deparar com as vicissitudes da vida.

“..., no fundo, sabia que era tudo o que podia fazer. Viver e ter esperança.

Informações sobre o autor - Khaled Hosseini é médico nascido em Cabul capital do Afeganistão, com naturalização estadunidense. Sua mãe era professora e o seu pai trabalhou no Ministério do Exterior afegão. Em 1976 mudou-se com a família para Paris por conta do emprego do seu pai. Enquanto estavam em Paris, os comunistas assumiram o poder. Formou-se em medicina na Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos.